domingo, 20 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Inconcebível Matança

Com o passar dos anos, outras cerimônias iam-se sucedendo, sendo que a mais importante às mulheres seria a primeira menstruação, enfatizando o período fértil, e para os homens a primeira caçada, com o consequente abate de um animal. Percebe-se que em ambos os ritos o derramamento de sangue era imperativo. Ao verter sangue para a preservação da comunidade, pela procriação ou pela alimentação, os jovens estariam simbolicamente misturando o seu próprio clã.
Logo as cerimônias coletivas seriam apresentadas aos jovens. Entre os índios norte-americanos, os jovens tinham seus peitos trespassados por espetos e puxados por cordas. O sangue pingava na terra como retribuição às dádivas que a tribo havia recebido. Outros ritos, portanto, tinham significados, como as cerimônias de casamento e as solenidades fúnebres.
Eu imaginava que, contemporaneamente falando, os ritos de passagem fossem outros, totalmente diferentes daqueles praticados pelos povos antigos. Salvo engano, os emblemas de hoje são, entre outros, o momento em que o menino ou a menina ganha o primeiro celular, o primeiro super computador. É de uma pobreza infinita, porém importante às crianças, as quais, antes disso, sentiam-se despossuídas, alijadas do mundo totalmente dominado pela cibernética.
Entretanto, dias atrás, mostraram-me algo que deixou meus poucos cabelos de pé, provando que, malgrado estejamos no Terceiro Milênio, coisas infinitamente piores que os ancestrais ritos de passagem ainda acontecem. O palco do barbarismo não é o chão batido de uma tribo qualquer, perdida no passado. Ocorre anualmente na Dinamarca, país do “Primeiro Mundo”. Trata-se de brutal e inconcebível rito de passagem, com abundante derramamento de sangue. Não sangue humano, mas sangue de golfinhos... Inofensivos golfinhos calderons!
Utilizando-se de ganchos pontiagudos, os jovens dinamarqueses agridem os animais até à morte, os quais, em agonia, saltam grunhidos, lembrando o choro de recém-nascidos. Brutalidade impensável para um país do terceiro mundo, encenada na velha Europa que supunhámos civilizada. Indiferentes ao sofrimento dos animais, os jovens atiram-se à tarefa prazerosamente, instigados pelos adultos, os quais aplaudem o espetáculo, orgulhosos de seus rebentos, prestes a entrarem na vida adulta.
Após a matança, tingidos de vermelho, os jovens são considerados responsáveis, entregues à sociedade que deveria ser exemplar. Não bastasse isso, são ainda saudados como heróis. Em resposta, mercê do mais insano frenesi, escancaram bocas, agitam os ganchos no ar, enlouquecidos pelo feito que julgam extraordinário. Ao redor, mortos, os golginhos são troféus. Emblemas de brutal rito que, em vez de dignificar a cultura dinamarquesa, a empobrece, transformando-a num tecido negrosado.
Por mais sofríveis que sejam, portanto, nossas intestinais cerimônias de passagens, podemos considerá-las infinitamente mais humanas, pois delas não resultam derramamento de sangue. Nem sempre o que vem de fora é melhor, mais saudável e culturalmente mais louvável.
Manoel Soares Magalhães
Escritor, Artista Plástico e Jornalista. Editor do blog "SOS Planeta Terra"
domingo, 13 de dezembro de 2009
Quanto você pagaria?
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
Devo(ra)ção canina
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Dica de leitura: Ética da alimentação

quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Piccadilly homenageia veganos
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Sônia Felipe em Pelotas
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sábado, 8 de agosto de 2009
Destaque
domingo, 2 de agosto de 2009
Algo ou alguém gritante?
Para mim, ficaria muito fácil fugir do assunto:
“Se queres proteger as plantas, torna-te vegetariano! Sabes o que um boi come? R: plantas. Sabes quantos kilogramas de pasto “geram” um kilograma de boi? R: muitos (cerca de 10 vezes mais do que o necessário para alimentar “diretamente” um humano). Ou seja, se você come boi, está comendo boi + planta, o que, na suposta tese da dorência vegetal, seria uma dupla perversão.”
Mas a história é outra. A idéia que se quer veicular é a de que não há um limite seguro para estabelecer as fronteiras entre aquilo que definimos como titulares de direitos ou interesses, e aquilo que entregamos ao plano da coisificação. E com isso eu concordo.
Entretanto, essa reconhecida dificuldade se apresenta somente a partir de certos pontos. P. Ex.: um celenterado é merecedor de tutela? A resposta pode ser confusa. Todavia, por mais problemática que ela se manifeste, jamais teria o condão de lançar dúvida sobre a capacidade de sofrer que uma vaca ostenta. Uma ovelha é capaz de sentir dor, e não precisa ser etólogo ou veterinário para saber disso, nem um filósofo moral para protegê-los das calamidades por que habitualmente passam.
Se a esponja do mar sofre ou não, isso só é um problema quando alguém pensa em colocar em risco a sua integridade. Quando se trata, porém, de “animais de panela”, mesmo o homem mais ignorante é incapaz de lançar senões honestos em face daquilo que é, literalmente, gritante. Comecemos, então, por aí.
sábado, 4 de julho de 2009
Antes de acordar, um último copo de leite
Por Anderson de Mello Reichow
Membro-Fundador do DDA
Acredite: as vacas não dão leite, assim, espontaneamente. Mesmo as leiteiras! Pode parecer desnecessário, já que é até mesmo óbvio, mas temos de esclarecer este primeiro ponto: vacas, assim como todos os mamíferos, só dão leite porque têm ou tiveram um filhote. Logo, por mais que exista aquela idéia arraigada, que cultivamos desde a infância, a verdade é que a vaquinha dá o leite para o seu bezerrinho. Não é para o humano adulto... aliás, o único mamífero que segue a mamar mesmo quando adulto.
Epa! Quer dizer que, se o leite é para o bezerro, cada litro de leite que se comercializa significa um litro de leite a menos para o consumo do coitado do bezerrinho? Tragicamente, a resposta é sim.
Para cada certo grupo de pessoas que perpetuam esse hábito, há um fazendeiro explorador disposto a “sacrificar” todas as necessidades mais básicas de um filhote e sua mãe; o filhote não poderá mamar, e seu destino é dos mais desgraçados. A mãe não poderá acariciá-lo, esboçar o mais puro instinto materno que a própria natureza lhe deu – e nós, humanos, detentores da técnica, negamos-lha. O bezerrinho, figura fácil de calendários e panos-de-prato, vai virar bife. E a vaca, pobre coitada, vai passar a vida experimentando a mesma dor de ser estuprada, ter seu filhote arrancado de si, e gastar os dias mais preciosos de sua vida sendo sugada por uma máquina estéril que faz as vezes de boca para os seres humanos. Maldito foi o dia em que a ordenha deixou de ser manual, passando à condição de aço gelado. Não que antes fosse justo, mas ao menos a vaca tinha condição de se mover por algum canto da fazenda.
Hoje seu universo é um brete, uma baia, um galpão cor de cinza sem céu e sem grama. De longe, até lembra um dos destinos do seu filho: que, se virar bife especial – o de vitela – vai também viver o resto de seus dias em apertadas baias de madeira: só que acorrentado, para não mover-se e criar músculos; e também sem – acredite -, leite: já que receberá uma mistura aguada especialmente preparada para não ter Ferro em sua composição, garantindo assim a carne mais macia e branca o possível.
É, afinal, com essas cores que se pinta o quadro de uma cozinha típica de qualquer cidadão moderno. Um calendário, um pano-de-prato... um pedaço de músculo amputado do bezerro morto, acompanhado de alguma secreção de sua mãe que vive o pior pesadelo num cubículo árido de conforto e condições dignas de vida.
Aliás, falando em secreção, o leite que se consome é o resultado de uma combinação: várias vidas desperdiçadas que se contam aos goles, dissolvendo-se mutuamente no estômago de um ser humano que tem sede de tudo. Uma sede que se satisfaz, a rigor, com uma amálgama de seu pus, da excreção de sua mastite, das misturas e re-misturas de água com algum outro líquido, e de outro tanto de leite de uma ou sabe-se lá quantas dezenas de vacas. Tudo isso num gole, num copo. O resultado de dezenas de vidas, mortes, estupros e privações.
Se por um lado – o humano – o prêmio é conforto duvidoso de sorver um leite que talvez represente sua condição ética pueril, do outro – o da vaca – o arremate vem com as mãos de um carrasco. De cabeça para baixo, afogada no próprio sangue que jorrará da sua garganta, essa vaca receberá ainda em vida o último golpe. E partirá para a escuridão da morte com a certeza de que foi inocente de todos os males, mas culpada por ser fêmea.
Quem sabe voltará a encontrar seu filhote numa composição cárnea de embutido, juntando-se a suas vísceras num hambúrguer de um disputadíssimo fast food. Ou irá direto para a boca de algum humano, fundir-se ao leite que um dia foi seu mesmo.
Não importa a marca, o supermercado ou o fornecedor. Se foi antes de dormir, ou no café da manhã. Essa foi a história do seu último copo de leite.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Onivorismo e exploração sexual
Muitas vegetarianas se apoiam na ideia de que a alimentação é uma manifestação do livre arbítrio, presumindo que nós podemos escolher nosso alimento sem que isso tenha outras consequências políticas. A aparente liberdade de escolha esconde na verdade uma imposição mercadológica e sociocultural.
O onivorismo tem estranhamente se sustentado por um mercado que faz o cultural parecer natural, saudável, eficiente e indispensável, quando no fundo visa a manter dependência a um sistema de dominação. Nós não escolhemos nem nos damos conta dos fatores sociopolítico-econômicos implicados na simples presença da carne em nossa dieta.
A ingestão de produtos de origem animal é a introjeção do sistema masculinista, de forma que o patriarquismo possa nos atacar por dentro. O consumo desses alimentos reflete a exploração reprodutivo-sexual de fêmeas.
Diferentemente dos animais machos, que são assassinados ao nascerem ou ainda bem jovens, as fêmeas animais, que um dia serão convertidas a um pedaço de carne como seus iguais masculinos, ainda são condenadas a viver sob regime de escravidão sexual.
A fim de gerar novos seres para fins alimentares, as fêmeas são ainda mais exploradas para fornecer leite e ovos, alimentos estes sabidamente inadequados à alimentação humana.
A exploração sexual dessas fêmeas de vacas (e outros tantos animais usados na alimentação humana) começa em uma fazenda de produção de leite, ao nascerem já separadas de seus irmãos e irmãs (que não estejam adequadas aos padrões de produtividade), uns assassinados imediatamente, outros mantidos em restrito cativeiro para serem mortos após 2 ou 3 meses, quando são comercializados como carne de vitela ou baby-beef. Já as “afortunadas” fêmeas que gozem de boa saúde e possam ser mais exploradas como fontes de proteína feminina têm seu desenvolvimento e maturação sexual acelerados por hormônios do crescimento e hormônios sexuais – hormônios estes que muito se assemelham aos hormônios humanos e que são lipossolúveis, podendo ser igualmente absorvíveis e atuantes no organismo de quem ingere a carne ou o leite desses animais, podendo provocar casos de câncer de próstata e mama e outras doenças degenerativas.
Após ter sua maturação sexual forçada, a vaca, que ainda seria uma criança, é inseminada artificialmente, fazendo desta cena de estupro também uma cena de pedofilia.
Em uma fazenda de produção, as vacas são constantemente inseminadas em mesas de estupro a fim gerar novas escravas e produzir mais leite – refletindo, assim, a escravidão reprodutiva das fêmeas humanas que perderam o controle sobre seus diretos sexuais e reprodutivos.
Para as ecofeministas, o veganismo é uma forma de dizer não a esta violenta cultura de estupro.
Leia mais textos da Tamara clicando aqui.
domingo, 14 de junho de 2009
Suas refeições nunca mais serão as mesmas
Para ilustrar o que quero dizer com isso, vou contar o que aconteceu comigo há poucos dias. Aliás, eu não estava sozinho, e quem me acompanhava teve o mesmo insight. Foi mais ou menos assim:
Fomos às compras, Lúcia e eu. Veganos, vocês sabem, também consomem produtos industrializados. Creio que ser vegano e ir ao supermercado não representa uma esquizofrenia ou uma miopia individual severa. Tudo isso se concilia com boas doses de paciência, autocontrole e disposição para leitura de rótulos.
Nesses estabelecimentos acontece uma coisa um tanto mágica conosco. Sabem quando o status de vegano se eleva a níveis mais sensíveis? Algo como: “tenho que estar atento, o mercado pode ser traiçoeiro”. Pois é. Essa atenção redobrada deve despertar alguma coisa no nosso inconsciente, sei lá, que nos deixa mais ligados às ideias abolicionistas.
Passeávamos por um corredor que exibia mercadorias úteis para culinária. Lá se podiam escolher shoyo, azeitonas e cogumelos (acho que foi isso que compramos) em meio aos típicos apelos visuais às “Promoções” “Imperdíveis”. Logo adiante, topamos com uma espécie de letreiro que indicava: “Ervas para Aves”.
Curioso, pensei: “Não sabia que aves gostavam de ervas”. Imaginei um papagaio comendo aquelas folhinhas secas miúdas… Olhei para a Lúcia. Ela apontou para o anúncio: “Ervas para aves? Que legal, não sabia que comiam isso”.
Somente alguns minutos depois é que a ficha caiu. Claro! “Eles”, os carnófagos, usam aquela erva para temperar os pedaços de músculos amputados de cadáveres de filhotes de galinha (sim, o frango que se come atualmente em geral conta com menos de dois meses de idade – são os filhos dos outros animais, os bebês).
Quer dizer: o vegano aqui chegou ao ponto de parecer retardado por não entender prontamente que um pacotinho de folhas dedicado às aves, quando exposto na seção de temperos, não representa um compromisso com a alimentação da própria penosa. Por alguns felizes minutos da minha existência, esqueci que pessoas se alimentam de animais mortos. Quem sabe pela própria degeneração da matéria, usam-se certos temperos. Disfarce para um gosto pervertido.
Minhas reflexões sobre a condição animal me levaram a um novo paradigma, a ponto de ter-se criado entre mim e meu passado carnófago, remoto em minha mente, um desproporcional abismo.
Então, veja você. Inegavelmente, a educação recebida desde a infância é um fator decisivo na formação do caráter de um indivíduo. Entretanto, doses conscientes de ideologia não sucumbem à cultura assimilada goela abaixo (numa dupla referência aos modos de vida de um onívoro médio). Ideias fortes em parâmetros éticos conseguem resistir às orientações hegemônicas sobre “como ser um cara legal”.Lembrando que, como já afirmou o colega colunista Marcio (Vanguarda Abolicionista), um sujeito legal é aquele que aprecia o polinômio “cerveja-praia-futebol-carnaval-churrasco-televisão”.
Estimo não sejamos sempre os mesmos, que não repitamos o que de errado fizeram nossos ancestrais mais remotos. Até porque atualmente dispomos de condições infinitamente mais propícias para adotar a dieta que mais eticamente convém a todos do gênero da animalidade, assim como ao planeta.
Pense bem: é sempre o mesmo, o mesmo, o mesmo, o mesmo… até que você queira fazer diferente. A partir de então, nem seu prato, nem você, serão iguais.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Pizza vegana de espinafre

+/-3 xícaras de farinha branca
3, 4 colheres de azeite de oliva
1 xícara de água morna com fermento biológico de sachê
sal
Modo de preparo:
Misturar primeiro farinha, azeite e água com fermento. Se precisar, colocar mais farinha. Quando tiver homogênea, deixar descansar por 30 minutos. Depois colocar sal, amassar mais um pouco e esticar (bem fininha é melhor). Não precisa assar antes de colocar o recheio.
Para o recheio:
azeite
3 dentes de alho
sal a gosto
1 pitada de noz-moscada
300g de tofu amassado
1 caixa de creme de leite de soja
tomate seco
orégano
molho de pimenta jalapeños (da companhia das ervas)
pimenta calabresa
Modo de preparo:
Refogar o espinafre, picar e tirar a água. Separar. Em uma panela, dourar o alho, o tofu amassado e temperos (colocar mais azeite se precisar). Esfriar um pouco, acrescentar o espinafre e o creme de soja. Mexer bem e colocar o recheio por cima da massa e decorar com o tomate seco cortado em fatias. Eu sempre tenho o tomate seco por séculos na geladeira, deixo ele tapado de azeite. Na hora de usar o tomate seco, também uso aquele azeite que pegou o gostinho do tomate. Usei esse azeite pra pôr em cima da pizza para dourar. Levar ao forno pré-aquecido, em fogo médio, por +/- 25 min, ou até que fique dourado.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Põe na conta!
Uma breve leitura crítica dos princípios mefistofélicos do pagador
É inegável que a lógica econômica se posicionou no topo da hierarquia das escolhas humanas. Isso fica visível quando economicizamos a especulação sobre problemas existenciais. Será que vale a pena dizer algumas verdades para o fulano? Será que a relação “custo-benefício” me favorece ao dar a cara à tapa? Essa última pergunta deveria soar estranhamente: ora, “custo”, bem se sabe, é coisa que só deve pesar em balanços financeiros (custo-benefício). Com efeito, esse exemplo emblemático serve para reintroduzir a ideia de que, na nossa vida nua e crua, o que conta é a satisfação pessoal que tal ou qual atitude pode garantir. Custo é preço, despesa, gasto... Às favas com essa lógica de capital!
Esse pecado monetarizante do homem civilizado sugere uma leitura bastante reveladora sobre si mesmo, é verdade, mas não se esgota no seu íntimo. Por coerência, pode-se afirmar que, se até mesmo os dilemas existenciais se expressam em razões tarifárias, todo o resto também se pode resumir assim. “Se meu dilema mais íntimo se afere com jargões econômicos, tudo o que me cerca poderá ser medido com o mesmo jeito de calcular”. Qual o custo-benefício em derrubar esta árvore ou de matar esse touro?
Aí que nasce um dos principais problemas:
Ao se colocar na balança o interesse imediato da humanidade do agora, esquecemos da humanidade do porvir. O tempo do Direito, assim entendido como o espectro cronológico de seu alcance, ainda não assimilou verdadeiramente a sua missão de resguardar o futuro. Proteger o que existe agora para que o amanhã possa nascer – essa é a tarefa que poucos encaram de frente.“O planeta começa a agonizar e já notamos alguns dos porquês. É certo que, diante das razões que nos ligam a este destino indesejável, devemos adotar posturas mais restritivas a determinados hábitos. Uma objeção articulada nos termos da dúvida sobre o que fazer não mais sobrevive, pois temos conhecimento preciso sobre alguns detalhes determinantes desse processo de degeneração do planeta. É fato: pelo bem do futuro das espécies e do planeta, impõem-se a cada indivíduo humano limitar-se a si próprio, frear seus impulsos consumistas e irresponsáveis.
Indubitavelmente, trata-se de um choque de interesses. E é necessário caracterizá-lo bem: colidem entre si os anseios de uma humanidade já existente, nascida e criada na promoção de seus próprios interesses e sempre atuante com vistas a maximizar o seu conforto, com os interesses de uma humanidade ainda não nascida, de uma geração futura, que nem sequer tem voz para reclamar a si o direito de viver em um planeta equilibrado ecologicamente. E mais. Existe também um choque de interesses humanos com anseios não-humanos: ignorando a objeção de que os animais não-humanos seriam capazes de articular aspirações, os “nossos” desejos de obter o cadáver de animais para alimentarmo-nos colidem com o desejo “deles” de não ter sua vida ou integridade física violada, por exemplo.
Como se vê, ao depender de posturas respeitantes a interesses ou não nascidos ou não reconhecidos pela ordem antropocêntrica, o destino da humanidade se acha em situação desconfortável, para dizer o mínimo. Haja vista todo exemplário de situações de descaso dos animais humanos mesmo quando o resultado de suas intervenções, se ocorressem, fossem visíveis imediatamente, no “aqui” e no “agora”, poderíamos nos conformar em esperar o pior, não fosse a constatação de que só o pessimismo já bastaria para nos condenar.
Com efeito, precisa-se de uma postura mais auspiciosa, e, paralelamente, de ações disseminadas de educação, ponto no qual tanto esta Coluna[i], quanto o próprio site que a veicula, pretendem justificar sua existência[ii]. (Reichow, 2009)
O dilema de cumprir com essa meta toma proporções assustadoras quando pensamos no tal custo-benefício em sua dimensão capital, econômica. Fica escancarado que depositar nossa esperança no dinheiro só agrava a dificuldade, isso se já não se pode dizer que efetivamente nos sepulta de vez a expectativa de salvação. Monetarizar mais esta face da existência foi um dos erros capitais (com o perdão do trocadilho) dos juristas.
Quando falo em “monetarizar” estou me referindo a duas coisas: os princípios do poluidor-pagador e do usuário-pagador, em especial a esse qualificador mefistofélico – pagador. Esses princípios são bússolas do Direito Ambiental Brasileiro, e consistem, basicamente, no seguinte:
· Ao contrário do que à primeira vista pode parecer, o “poluidor-pagador” não é um instituto criado para imputar àquele indivíduo que causou dano ambiental o ônus de arcar com os custos sociais e jurídicos da devastação a que deu causa. Essa seria a responsabilidade civil ambiental. Antes disso, é figura que visa a coibir a eventualidade do dano, por meio da internalização desses prejuízos que ainda não ocorreram, com o objetivo de dificultar a empreitada que possa acarretar lesões ou perecimento de bens ambientais.
· Para Canotilho e Leite[iii], o referido princípio se resume em precaução, prevenção e redistribuição dos custos da poluição.
· Já o princípio do usuário-pagador informa que aquele que usufrui economicamente do bem ambiental é que deve suportar os custos que da sua atividade advierem.
Temos de nos dar conta do entrave: se poluo, pago; se uso, pago. Ou, noutras palavras, “pago, uso e poluo”. Nada mais.
Honestamente, isso não é percalço que se apresente ao bolso de uma mega-corporação. E mais: a lógica de concentração do custo ao explorador se esvai na simples operação de transferência do preço ao consumidor, o qual, tão acostumado a avaliar sua existência sob a ótica do “custo-benefício”, vive iludido com a ideia de que jamais poderá abrir mão de certas comodidades da vida moderna em nome das gerações futuras, e, por isso, compra todo produto que lhe convém. O capital, a toda evidência, viabiliza plenamente a substituição do trinômio “poluidor-usuário-pagador” por “consumidor-míope-acomodado”. Às favas com o Direito Ambiental! Põe na conta!
Evidentemente, a questão permanece em aberto. Não será hoje o dia de bater o martelo, é claro. Afinal, nem aquele martelo que “homologa”, que sentencia, nem o martelo pneumático que estoura os miolos do boi que vira bife. E, falando em bife:
"A proposta por um meio termo, ou seja, uma exploração pecuária “mais racional”,
não passa de ilusória, pois esbarra em conceitos sustentáveis básicos: Se o gado
subsistir a pasto, inevitavelmente será causa de destruição de biodiversidade à sua volta; e se subsistir a grãos, inevitavelmente o fará a custa de muitos recursos, que melhor aproveitados seriam se aplicados diretamente na população humana. De toda forma, uma “exploração pecuária racional” não pode alterar o fato de que o gado não pode transferir ao homem cada unidade de energia que obteve do vegetal. Apenas alterando-se leis naturais básicas, poderia-se obter uma pecuária de alguma forma “sustentável”."[iv]
[i] Aqui se faz referência à coluna “Através do espelho”, escrita por mim no site da Agência de Notícias dos Direitos Animais, o maior site brasileiro dedicado ao tema. www.anda.jor.br
[ii] Texto originalmente publicado em 23-01-2009, com o título “Uma coletânea de objeções” – www.anda.jor.br
[iii] Direito Constitucional Ambiental brasileiro / José Joaquim Gomes Canotilho, José Rubens Morato Leite, organizadores – 2. Ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2008, pg. 47.
[iv] Sérgio Greif, biólogo. Artigo publicado no volume IX/2002 da Revista Cadernos de Debate, uma publicação do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da UNICAMP, páginas 55-68
Quem é o próximo?
Mas quem é o meu próximo, afinal?
É próximo tudo que está vivo, ou só o que propriamente morre?
Quem se perguntar, e quem se responder, será capaz de entender?
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Carroças

Estirado no chão e sem alento!
Nesse leito em que jaz do seu tormento
Ofega a estrebuchar, e geme, anseia!...
Respira, vive ainda, e já, faminto,
Fareja o corvo a presa, e se recreia!
E eu vi assim penando esse cavalo,
Que ao senhor já servira longos anos...
Ai! Certo eu não o vira, se tiranos
Tantos homens na terra não vivessem,
Que valor dão somente aos servidores
Enquanto um pingue adubo ao lucro oferecem.
Quem do enfermo animal não tem piedade,
Jamais, jamais sentiu no brônzeo peito
De uma afeição o doce efeito;
Jamais, na caridade enobrecido,
Ao encarar os quadros da desgraça
Sequer uma só lágrima há vertido!
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Cidade planeja lançar "Dia Vegetariano"
Da BBC News em Ghent - A prefeitura da cidade belga de Ghent lançou uma campanha para tentar convencer seus cidadãos a abrirem mão do consumo de carne pelo menos um dia por semana. A ideia da iniciativa, lançada nesta semana, é de criar o "dia vegetariano", com os servidores públicos e vereadores dando o exemplo inicial a ser seguido, aos poucos, pelo resto da população local. A intenção da prefeitura é chamar a atenção para o impacto da criação de rebanhos sobre o meio ambiente. Segundo a ONU, os rebanhos de animais como gado, ovelhas e porcos é responsável por um quinto das emissões globais dos gases que provocam o efeito estufa, daí a decisão do governo local de criar o "dia vegetariano". Os servidores e políticos serão os primeiros a abdicar de carne um dia por semana, mas a partir e setembro, os estudantes das escolas públicas também vão aderir ao dia vegetariano. Com a medida, a prefeitura espera diminuir as emissões dos gases causadores de efeito estufa na cidade, além de ajudar no combate à obesidade. A prefeitura agora vai imprimir cerca de 90 mil "mapas vegetarianos" de Ghent, localizando os restaurantes de comida vegetariana.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Evento imperdível

segunda-feira, 27 de abril de 2009
SAC Vegano
Então, para acabar com esse mito, montei um "guia básico" (confesso que bem pessoal) tentando selecionar produtos não-polêmicos de empresas e marcas famosas que, através dos SACs, afirmaram não testar seus produtos em animais.
Empresas como Surya e Éh, já são queridinhas dos veganos. Além de não testarem em animais, afirmam utilizar apenas componentes vegetais. Só com elas já temos linhas completas para tratar de cabelos de todo tipo e a Surya ainda leva selo vegano em todos os seus produtos, que incluem até hidratantes e creme pra barbear.
Sabonetes Granado e Phebo são facílimos de encontrar e são feitos de glicerina vegetal.
Para quem prefere sabonetes mais refinados, xampus diferentes e outros tipos de cosméticos, ainda temos a Nívea com uma infinidade de produtos veganos (e nunca achei ninguém com brotuejas por causa deles!), Davene, Garnier, Flores e Vegetais, Bio Extratus, Weleda, Pierre Alexander, Água de Cheiro, Natupele, Mary Kay, Vult, Florestas, Yamá, Amend, Vita-A, Tec Italy e muitas outras, é só pesquisar (na SAC Vegano!) ou entrar em contato com os SACs da empresa que tiver interessado. Empresas grandes como L'oreal e Niasi também afirmam não testar e não usar ingredientes de origem animal.
A Mahogany nos informou por email que, além de não testarem, estão com um projeto para substuição de todas as matérias-primas com origem animal por outras.
A Payot informou que, a partir desse ano, ia constar a informação de que não testam em animais nos rótulos dos produtos!
A Ecologie disse que não utiliza mais nenhum ingrediente de origem animal, mas ainda pode haver produtos antigos não-veganos à venda.
Desodorantes, além dos da Nívea que são super fáceis de encontrar, temos Garnier Bí-O e Red Apple que, além de não testarem, afirmam não usar ingredientes de origem animal em nenhum dos produtos.
Pastas de dente também encontramos veganas: Contente e Ice Fresh!
Todas as infomações conseguimos por email/telefone, olhando rótulos, perguntando, tirando dúvidas, sempre entrando em contato com os SACs das empresas!
Confesso que a lista acabou sendo "pessoal", mas, pra quem achou que ser vegano é coisa de maluco, pode ver que é super possível sobreviver.
Lembrando que as empresas citadas apenas dizem não testar em animais. Ler rótulos e pesquisar é essencial para quem não quer contribuir com o maltrato animal no dia-a-dia!
Para auxiliar na pesquisa, além da comunidade da SAC Vegano, onde reunimos as respostas das empresas, foi feito um site reunindo as informações da comunidade de forma resumida:
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http://www.sacvegano.com.br/
Uma atribuição esquecida?
Atuando como Promotor de Justiça há mais de 17 anos, confesso que poucas vezes me deparei com situações mais aviltantes do que aquelas referentes ao tratamento dispensado pelo humanos aos seres de outras espécies.
Animais inofensivos apinhados em canis municipais para serem mortos pelo simples fato de não terem um “dono”; animais retirados de seu hábitat e enjaulados em diminutos espaços para servirem de cobaias em salas de aula ou em pesquisas acadêmicas; animais privados de alimentação, de movimentos, de luz solar, de expressar ainda que de forma mínima o seu comportamento natural, apenas mantidos vivos como matéria-prima para produção de alimentos; animais explorados por toda uma vida para tração de veículos e transporte de cargas pesadas, diariamente padecendo nas ruas de nossas cidades pela exaustão e pelos maus tratos.
Nem todas as doses de antropocentrismo (o homem como figura central do Universo) e especismo (desconsideração de interesses semelhantes quando titulados por seres de outra espécie) recebidas de nossa tradição cultural foram capazes de me insensibilizar diante dessa triste e, acima de tudo, injusta realidade.
Acredito mesmo que as implicações psicológicas, éticas, econômicas e ambientais dessa relação doentia que existe entre os animais humanos e os animais de outras espécies não deveriam passar despercebidas por aqueles que buscam a construção de uma sociedade em que haja uma Justiça verdadeira.
Pois bem, passando da indignação à ação, tem-se que o Decreto nº 24.645/34, tido pelo renomado jurista Antônio Herman Benjamin como a primeira incursão não-antropocêntrica do Século XX, ainda em vigor, prevê que todos os animais existentes no País são tutelados do Estado (artigo 1º), e que “os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Público, seus substitutos legais” (artigo 1º, §3º), reforçando a legitimidade de atuação posteriormente conferida pela Constituição Federal, que no capítulo reservado ao meio ambiente protege os animais contra práticas cruéis, e pela Lei dos Crimes Ambientais, que tipifica os casos de maus tratos.
Está, de fato e de direito, ao alcance do Promotor trazer um pouco de Justiça às miseráveis vidas dos outros animais.
Com essa proposta em mente, gostaria de relatar alguns avanços significativos obtidos na Comarca de Pelotas, com único intuito de que sirvam de incentivo aos Colegas sensibilizados pelo tema.
Para mudar a realidade de cães e gatos errantes, foi alterada a política de controle populacional no Município de Pelotas, abandonando-se a prática ultrapassada, cruel e ineficiente de captura e extermínio, por outra recomendada pela Organização Mundial de Saúde, que envolve vacinação, esterilização e educação para a posse responsável.
Deve-se gizar que muitas ações civis públicas já encontraram êxito em proibir o extermínio indiscriminado de animais errantes, sendo que uma das mais fundamentadas provém do Ministério Público de Aracajú, sustentando a inconstitucionalidade e o anacronismo do controle de zoonoses baseado no extermínio de animais (v. http://www.asmp.org.br/Artigos/imagens/385.doc).
No caso dos animais de tração, estabeleceu-se uma rede de atuação que envolve a Prefeitura de Pelotas, o Hospital Veterinário da UFPEL e a Companhia Ambiental, para atendimento e persecução penal dos casos de maus tratos; por outro lado, em inquérito civil são feitas tratativas para que o município regulamente o trânsito de veículos de tração animal, como determinado no Código Brasileiro de Trânsito, prevendo o licenciamento periódico de charretes mediante comprovação do estado de saúde do animal e regulamentação dos limites das jornadas de trabalho e das cargas transportadas.
Quanto aos animais “de fazenda”, duas ações civis públicas foram ajuizadas para tentar proibir, respectivamente, o extremo confinamento de aves de postura e de porcas-mães (chamadas de “matrizes” no jargão do agronegócio), além de outras práticas abusivas como mutilações sem analgesia.
Embora se reconheça que o julgamento destas ações ainda tenha um prognóstico no mínimo duvidoso, dada a falta de conscientização quanto aos direitos dos animais e pela superestimação de valores econômicos em detrimento de valores éticos, o fato é que ambas trouxeram resultados positivos.
Na primeira, o produtor já implantou em dois galpões a criação de aves fora do sistema de bateria de gaiolas, propiciando-lhes movimentação, acesso a poleiros, a possibilidade de ciscar etc.
Na segunda, o produtor manifestou interesse de ajustar a conduta com o Ministério Público, banindo as diminutas celas individuais e propondo diversas melhorias no trato dos suínos.
Quanto aos animais usados como cobaias, recomendação expedida à Universidade Federal foi acolhida, e não mais é feita vivissecção em animais para fins didáticos, considerando que existem inúmeros e acessíveis métodos alternativos (v. http://www.internichebrasil.org/).
Em relação aos que são usados em trabalhos de pesquisa, a Promotoria busca de forma incessante o estrito cumprimento da legislação aplicável (Lei Estadual nº 11.915 e a recém aprovada Lei Arouca”).
Concluindo, existe a possibilidade de o Promotor de Justiça, reservando alguns breves períodos de sua carga laboral, realizar algumas ações simples mas de grande significação para a vida e o bem estar desses nossos parceiros de jornada na grande “nave” estelar que chamamos de Terra.
E com isso contribuir para o desenvolvimento que realmente importa: o ético.
domingo, 26 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
Debate sobre Direitos Animais
Apresentamos aqui no DDA a íntegra do vídeo, de aproximadamente uma hora.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Notável ação contra touradas na Espanha
Veja fotos dos corajosos colegas da Espanha no link a seguir: http://www.flickr.com/photos/igualdadanimal/
terça-feira, 21 de abril de 2009
Dúvidas sobre alimentação vegetariana?
Escreva para: ddapelotas@gmail.com
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Surpresa no site da Mundo Verde
Algumas marcas que NÃO testam seus produtos em animais
Marcas: Afro Nature, Keraseal, Nature Color, PHC, Semi di Lino, Top Fruit
Água de Cheiro (cosméticos)
Marcas: Água de Cheiro
Anaconda (cosméticos)
Marcas: Anaconda
Bio Extratus (cosméticos)
Marcas: Bio Extratus
Bionatus (medicamentos e alimentos)
Marcas: Bionatus
Cassiopéia (cosmético, produto de limpeza e suco)
Marcas: Auxi, Bio Wash e Veraloe
Class (cosméticos e tintura)
Marcas: Bigen, Care Liss, Charming, Essenza e Lightner
Condor (higiene oral, vassouras, rodos, esponjas)
Marcas: Condor
Contém 1g (cosméticos)
Marcas: Contém 1g
Contente (higiene oral)
Marcas: Contente (vegana)
Copra (alimentícia)
Marcas: Copra
Cosmética (higiene oral, cosmético)
Marcas: Cosmética
Cosinter (cosméticos)
Marcas: Red Aple, Maxi Belle, Maxi Trat
Davene (cosméticos)
Marcas: Davene, Sun Block
Driss (cosméticos)
Marcas: Driss, Empório Bothânico
Dr. Tozzi (cosméticos)
Marcas: Dr. Tozzi
Ecologie (cosméticos)
Marcas: Ecologie
Éh Cosméticos (cosméticos)
Marcas: Éh
Embelleze (cosméticos)
Marcas: Afro Hair, Amaci Hair, Fleury, Frizzy Hair, Hair Life, Hannaya, Henê, Idealist, Indian Hair, Lisa Hair, Maxton, Natucor, Novex, Selise, Sempre Bella, Stillus, Super Relax, Toin, Urban Hair, Yes Color, Young Hair
Farmaervas (cosméticos)
Marcas: Farmaervas, Celulan, Toltal Block, Tracta
Florestas (cosméticos)
Marcas: Florestas
Fri Dog (ração vegetariana para cães)
Marcas: Fri Dog
Gotas Verdes (cosméticos)
Marcas: Gotas Verdes
Granado (cosméticos, bebês, pets)
Marcas: Granado
Guabi (ração para cães e gatos)
Marcas: Biriba, Faro, Fiel, Herói, Natural, Sabor e Vida, Cat Meal, Top Cat, Limpi Cat
Impala (cosméticos)
Marcas: Impala
L’aqua di Fiori (cosméticos)
Marcas: L’aqua di Fiori
Leite de Rosas (cosméticos)
Marcas: Leite de Rosas
Ludovig (depilação)
Marcas: Depilsam, Évora, Depi Linea
Mahogany (cosméticos)
Marcas: Amyr Klink, Mahogany, Lyoplant, Kevin Nickols
Master Line (cosméticos e tintura)
Marcas: Skala e Bell Soft
Nasha (cosméticos)
Marcas: Elke, Giovanna Baby, Phytoervas
Natura (cosméticos) NEW
Marcas: Natura
Nazca (cosméticos e tintura)
Marcas: Acqua Kids, Maxi Color, Maxi Liss, Origem, Plusline, Ravor, Sphere
Niasi (cosméticos e tintura)
Marcas: Biocolor, Biorene, Risqué
O Boticário (cosméticos)
Marcas: O Boticário
OX (cosméticos)
Marcas: Ox
Prolev (suplementos, redução de peso, energizante)
Marcas: Guaraná, Levedura, New Diet, Sust´Up
Rahda (cosméticos, suplementos, higiene oral e pessoal)
Marcas: Rahda
Racco (cosméticos)
Marcas: Racco
Reserva Folio (cosméticos)
Marcas: Reserva Folio
Sabão Mauá (produtos de limpeza)
Marcas: Carícia, Fúria, Landa, Liptol, Mazal
Shizen (cosméticos)
Marcas: Lightner, Traty, Essenza, Charming
Surya Henna (cosméticos naturais e orgânicos)
Marcas: Surya Henna, Orgânica de Frutas, Amazônia Preciosa, Sapien
Terractiva (cosméticos)
Marcas: Terractiva
Unisoap (cosméticos)
Marcas: Francis
Valmari (cosméticos)
Marcas: Valmari
Vita-a (cosméticos e tintura)
Marcas: Fio & Ton, Guanidina, Keraflex, Nippon, Omega Plus, Texture, Vita-a
Vita Derm (cosméticos e tintura)
Marcas: Vita Derm
Yamá (cosméticos e tintura)
Marcas: Depil Mist, Fragê, Yamá, Yamafix, Yamasterol
Ypê (produtos de limpeza)
Marcas: Holos, Ypê, Tixan
Weleda do Brasil (cosméticos)
Marcas: Weleda
domingo, 19 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Odeio Rodeio
Boicotar Rodeios é mais do que, simplesmente, não pagar por um ingresso. Boicotar é espalhar a consciência animal, denunciar os maus-tratos, lutar contra a perpetuação desse folguedo movido à crueldade. Articule ações perante os poderes públicos para que sua cidade deixe de receber competições de provas campeiras.
Vegetarianos - Pelotas
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Ânimo e emoção
Filhotes e suas mães - macacos
- A tentativa de validar o modelo médico de psiquiatria tem levado alguns cientistas a produzir animais clinicamente deprimidos; alguns experimentadores se esforçaram em obter animais com infâncias particularmente infelizes. Azar o dos macacos rhesus. A alguns bebês macacos foram dadas duas “mães”: uma que dava leite (feita de arame e dura) e outra que não os fornecia alimento (mas que era fofinha e boa de abraçar). A mãe macia e aconchegante era a preferida dos macaquinhos.
Impotência aprendida
- Um experimentador criou macacos rhesus em solidão, em gaiolas de isolamento com paredes pretas, da infância até seis meses, para induzir “impotência social”. Então, ele prendeu cada um desses macacos a uma estrutura de restrição em forma de cruz e os colocou , durante uma hora todo dia, em uma gaiola com outros jovens macacos. Após o retraimento inicial, os macacos não-reprimidos cutucaram e abusaram dos macacos reprimidos, puxando seus pelos, colocando os dedos em seus olhos e escancarando suas bocas abertas. Os macacos reprimidos se esforçavam, mas não podiam escapar. Tudo o que eles podiam fazer era gritar. Após dois ou três meses desse abuso, o comportamento deles mudou. Eles pararam de se esforçar, apesar de continuar a gritar...
Elefantes
A elefanta Ma Shwe e seu filhote foram encurralados por uma enchente. Os humanos responsáveis pelo local correram para o rio quando escutaram os gritos do filhote, mas não puderam ajudar. A mãe, que já estava quase submersa, segurava o filhote puxando-o contra o seu corpo.
Agarrando-o com a trompa e erguendo-se nas pernas traseiras, Ma Shwe colocou o filhote à salvo em cima de uma pedra perto da margem, e então caiu na torrente e desapareceu rio abaixo. Os humanos ficaram olhando o trêmulo filhote que mal cabia na saliência pedregosa.
Meia hora depois, ainda pensando em como tirar o filhote de lá, o diretor do “campo de elefantes” ouviu “o mais formidável dos sons de amor produzidos por uma mãe”. Ma Shwe tinha atravessado o rio e subido à margem tão rápido quanto podia. Ela só se acalmou quando viu o seu bebê ainda pousado sobre a pedra. A história acabou bem.- A pesquisadora Cynthia Moss levou para o seu acampamento o osso do maxilar de um elefante morto – uma fêmea adulta – a fim de determinar a sua idade exata. Moss já observava os elefantes da região há anos, e inclusive sabia a quem havia pertencido aquela ossada. Alguns dias depois da morte dessa fêmea, por um acaso, a família da falecida passou pela área do acampamento da pesquisadora. Eles deram a volta para ficar com esse maxilar e examiná-lo. A manada retomou sua caminhada, mas o filhote dessa fêmea morta, que contava sete anos de idade, ficou para trás bastante tempo depois que os outros já tinham deixado o local, e permaneceu ali tocando esse maxilar e virando-o com seu pé e sua tromba.
Falcões
- Uma bióloga observava o ninho de um ocupado casal falcões com cinco filhotes para alimentar. Numa manhã, somente o macho voltou ao ninho. A fêmea sumiu e o comportamento do macho mudou muito. Quando ele chegava ao ninho com comida, esperava até uma hora para caçar novamente, algo que nunca acontecia. Muitas vezes ele gritava para chamar a companheira sumida e ficava aguardando uma resposta, ou então olhava para o ninho emitindo um piado do de dúvida. Três dias após o sumiço da fêmea, ele deu um grito que, inequivocamente, era o grito de uma criatura em sofrimento. A tristeza do clamor era clara e impossível de duvidar. Depois desse grito, o falcão ficou parado por um dia inteiro, sem se mover para nada. No quinto dia, ele voltou a voar e entrou num frenesi de caçada, da aurora ao por-do-sol, para poder alimentar seus filhos. Quando os colegas da bióloga subiram ao ninho, uma semana depois do sumiço da fêmea, viram que três dos filhotes tinham morrido de fome; dois tinham sobrevivido e estavam prosperando com o cuidado do pai. Algum tempo depois, a bióloga descobriu que a fêmea provavelmente tinha sido morta por um tiro.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Quem morre e sofre... e por quem.


A charge de Gustavo Ramos Zimmer, do blog Amigos de Pelotas, aproveita bem esses fatos para situar outra ser no centro da cruz: eis ali um coelho cego e mutilado.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Crianças e animais (1)
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Carinho

Você leu bem; tudo que tem a marca Avipal é feito com muito CARINHO.

terça-feira, 7 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Depoimento de um domador
"Faltando somente duas semanas para a noite de estréia do circo, tínhamos que trabalhar rápido e preparar os elefantes para se apresentarem. A mais jovem era muito tímida e assustada. Um dia, a colocamos na arena para treinar. Ela não conseguia realizar seus truques e fugiu com medo da punição. Pegamos ela e a trouxemos de volta, forçamos para que ela abaixasse e começamos a castigá-la por ter sido tão tola. De repente, nós paramos de bater e olhamos um para outro. Ela chorava como um humano, largada e deitada de lado, lágrimas escorrendo de seus olhos e soluçando desesperadamente".Sendo vegano no planeta terra!
sábado, 4 de abril de 2009
Feliz Páscoa - o coelho

O processo de abate engloba algumas etapas, como atordoamento, sangria, esfola e evisceração.
Quando o criador visa ao aproveitamento da pele, deverá ter alguns cuidados para obter um produto de boa qualidade, sem manchas, falhas ou gorduras. Sendo assim, apesar de a etapa da sangria ter vários métodos, é aconselhável adotar o método da extração do olho em que o subproduto se apresentará com menos manchas de sangue."
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Os Culpados e os Culpantes

Membro-fundador do DDA
É-me bastante claro que matar animais não é algo desejável nem aceitável. Do ponto de vista ético, não tenho dúvidas de que se trata de algo "errado". Mas daí a se dizer que quem os mata é "culpado" há um caminho muito grande, que creio ainda não ter sido percorrido.
Há dissensos sobre com base em que conceito elevaremos o valor da vida não-humana. Isso não porque tenhamos alguma dúvida de que deva ser valorizada, mas porque é um tema claramente díspare da cultura dominante. Nós, os veganos ou vegetarianos, não somos iluminados ou "os certos"; somos apenas pessoas que já realizaram reflexões sobre o tema e aceitaram dispor de algo de sua vida, em maioria por solidariedade.
Eis o ponto central: não é "mau" quem não é solidário quanto à vida não-humana. Não é "culpado". Não raro, a pessoa tem uma solidariedade incrível quanto a outros temas, dedica-se muito mais do que muitos de nós, e somente não tem tempo ou disposição pra mais uma ressalva ética. Isso porque também há um limite entre a cultura pessoal e os valores morais. Do contrário, ninguém jantaria: daria sua comida todas as noites aos que passam fome, que não são poucos.
O que busco, nessas poucas linhas, é trazer à tona que devemos tomar cuidado com ataques. Não que não possam ser necessários, mas muitas vezes são, também, injustos. Não há diferença nenhuma entre um carnívoro preconceituoso e um vegetariano preconceituoso. Ambos estão imersos em suas convicções, culturais ou intelectuais, e desprezam os "do outro time". Precisamos ultrapassar esses limites.
Os ativistas devem ter em mente que lutam por uma causa pública, e não por uma raiva particular, para que não caiam no mesmo erro que tanto reclamam daqueles com quem tentam traçar novas ideias. E prossigamos cultivando uma cultura para o respeito e a alteridade.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Floss
Da Andaterça-feira, 31 de março de 2009
Marcio Bueno concede entrevista à ANDA

Incêndio na Perdigão foi ato de sabotagem

domingo, 29 de março de 2009
Páscoa vegana
quinta-feira, 26 de março de 2009
Rifa
Seres perigosos

Num mundo verdadeiramente cruel e injusto, torço para que o destino lhes seja favorável.
quinta-feira, 19 de março de 2009
IBAMA do Amapá é condenado pela Justiça Federal por omitir informações sobre massacre de golfinhos
O juiz federal José Renato Rodrigues, da 2ª Vara da Circunscrição do Amapá, deferiu ordem liminar contra o IBAMA para fornecer imediatamente os documentos referentes ao proprietário da embarcação envolvida, e ainda, condenou o órgão a pagar R$ 500 a título de honorários advocatícios. “Vamos recorrer. Acreditamos que o fraco efeito pedagógico produzido por essa quantia não cumpre o objetivo de constranger o órgão pelo ato ilegal de sonegar informações, já que é sabido que a instituição não pode negar a apresentação de documentos, pelo contrário, é obrigada a fornecê-lo para qualquer cidadão, por força de lei. Foi um longo e penoso trabalho até a obtenção das informações, sem nenhum apoio voluntário no local do massacre, ou seja, diligenciamos tudo por telefone e correio, explica Cristiano Pacheco, diretor executivo do Instituto Justiça Ambiental, organização não-governamental que atua em defesa do meio ambiente apoiando a Sea Shepherd Brasil, ONGs e o Poder Público.
“Vamos recorrer a decisão porque o IBAMA e os cidadãos brasileiros que lutam pela justiça ambiental precisam saber que a lei nos pertence, que o país é nosso, e é nossa a responsabilidade de garantir um futuro saudável para nossos filhos e para a biodiversidade marinha, comenta Daniel Vairo, diretor geral do Instituto Sea Shepherd Brasil.
A Sea Shepherd lembra que a pesca predatória é ilegal e o massacre de golfinhos se estende por todo o litoral brasileiro, de forma descontrolada. Golfinhos são capturados, mortos e vendidos ainda em alto-mar por criminosos ambientais, para fazerem de sua carne uma isca para captura de tubarões. Tubarões são sacrificados por suas barbatanas, que são vendidas ilegalmente ao mercado asiático para fazer sopa e para o mercado farmacêutico - as pílulas de cartilagem. No Brasil, ainda há a crendice popular de que o olho do golfinho, quando carregado no bolso, 'atrai dinheiro e mulher', além do uso dos dentes para a fabricação de colares.
Clique aqui para ver as imagens da crueldade contra os golfinhos.
Fonte: Instituto Sea Shepherd Brasil
quinta-feira, 12 de março de 2009
Cookies mágicos
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Animalidade desonerada
Por Anderson Reichow
Enxergar nos animais um “outro” é um passo necessário para o rompimento com a construção articulada em termos de sujeitos em relação a objetos, de homem versus animal. Conforme afirmamos anteriormente, a identificação da animalidade viabiliza esse exercício de percepção, o qual tanto é mais adequado ao homem quanto é mais justo com os outros animais. Essa compreensão sustenta um olhar mais autêntico, pois já sabemos o quê de desmandos esse protótipo deformado da classificabilidade provocou. Somente superando esse modelo é que temos condições de avançar e chamar a Ética para tomar o seu assento, reclamando uma postura mais exigente.
A mania do humano em objetizar, em transformar tudo que lhe é externo e diferente em objeto, comandou as suas relações com quaisquer outros que não fossem também donos de uma face - de um rosto humano. Tudo foi ou é “coisa” na natureza, mesmo o que é vivo. A maneira absolutamente irresponsável com que se dispôs da vida no planeta já dá mostras irrefutáveis de um destino que prepara conseqüências aterradoras para aqueles atos coisificantes de outrora e de hoje. Lembremos, ademais, que a própria humanidade já viu seu holocausto e entre nós ainda há sexistas e racistas.
Na base desses tantos fenômenos está sempre a negação da constituição de um “outro”. Também invariavelmente presente, está a refutação de generosidade que abraça a todos do mesmo gênero.
Portanto, o imperativo que advém desse contexto só pode ser lucidamente construído nos seguintes termos: deve-se reconhecer a animalidade do outro como a gênese de um estabelecimento ético, o qual não se funda nem na capacidade comunicativa, nem na reciprocidade, nem mesmo na titularidade de interesses tidos por iguais. A generosidade não requer essa dimensão de igualdade para se situar, e também prescinde de qualquer linguagem ou intercâmbio. Não precisamos saber exatamente quais são os interesses que cada animal no mundo ostenta, e qualquer tentativa de estudá-los pode incidir em antropomorfização. A animalidade já é antevista, e não atrai ônus nenhum para si. O ônus sempre será daquele que, maníaco pela ontologia, tentar subsumir os animais à sua representação sobre eles.
Esse ônus que acabamos de referir, com efeito, adquire duas conformações. A primeira, puramente individual, volta-se àquele indivíduo que se põe a questionar a animalidade de um ser, e sua administração consistir-se-ia em provar o alegado. Porém, já se adianta a verificação empírica de que cada outro animal reduz-se e amplia-se numa modalidade de existência distinta, nem sempre alcançável à teorização taxonômica produzida a partir do logocentrismo. A segunda, essa uma conformação coletiva, impõe a responsabilidade de admitir o insucesso total e definitivo que pode levar, quem sabe, à extinção da nossa própria espécie, e que seria fruto do delírio megalomaníaco de a tudo classificar e de tudo dispor.
A par disso, cremos, as necessidades de pensar a condição animal num viés de igualdade, como sugerido por Peter Singer, ou a partir da Subjetividade proposta por Tom Regan, caem por terra. A animalidade é inescusável, em todo caso. Salta aos olhos, emergindo de cada Ser, e chamando a todos nós para comunhão.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Gênero da animalidade – a noção de generosidade com o “Próximo”
As ciências ocupadas com a taxonomia tinham, ao que parece, a intenção de separar os seus objetos de estudo apenas para o fim de melhor conhecê-los, tanto que a própria locução Taxis Nomos, no grego, quer dizer Lei de Agrupamento, ou Norma de Arranjo.
Todavia, o designativo “animal” em algum momento da história deixou de apontar também para o humano. Apropriado pelo direito em Roma, por exemplo, o termo animal se associou ao conceito de semovente, ou seja, um objeto de direito dotado de capacidade móvel autônoma.
As experiências do direito e as informações taxonômicas se somaram ao pensamento aristotélico e à concepção de Tomás de Aquino para reforçar a dicotomia ora consolidada entre homem e animal. Para Aristóteles e Aquino, haveria mais do que uma simples diferença de morfologia, pois todos os seres estariam escalonados em graus de perfeição, numa ordem que culminaria no humano, como fim (e deus sobre todos).
Foi, no entanto, René Descartes que arrematou o adágio que conduziu à orientação antropocêntrica da atual mundivisão hegemônica. O pai da filosofia moderna passou a defender que somente os humanos é que seriam dotados de alma. Tanto é assim que Descartes delineia uma nítida preferência pela palavra “besta”, ou mesmo “bruto”, em vez de animal, já que este vocábulo remete diretamente à alma por ele negada.
O certo é que essas construções se conjugaram para sustentar a razão antropocêntrica, de modo que cada uma delas é, ao menos em parte, responsável por inúmeros dos tratos que os humanos agenciam negligenciando o “resto” da esfera da vida.
Na atualidade, os discursos que mais angariam adeptos do combate à teorização antropocêntrica são os que partem das vozes de Peter Singer e Tom Regan. No entanto, ambos os filósofos perpetuam o embate ensejado pela idéia de animal vs. homem. E propõem, como que num esforço primeiro, a superação dos termos dicotômicos, animal e humano, com a inserção combinada das mesmas expressões, só que com o correspondente negativo. Assim, anotam: animal humano vs. animal não-humano.
Como se vê, a estrutura é menos hostil, posto que se presta a, pelo menos, reafirmar que o homem é, ele próprio, um animal. Todavia, não faz mais do que isso; ou, melhor, faz: confirma a dicotomia, uma vez que a terminologia ainda corresponde à percepção que aparta o homem do animal.
Ao recordar que o homem é também um animal, está-se a dizer, tão-somente, que por alguma razão morfológica ele compartilha de semelhanças com os demais cordados, por exemplo. Trata-se de uma necessidade superada a partir de múltiplos expedientes, como a indicação da senciência/dorência , tão presentes na filosofia abolicionista, e que portanto se esgota num propósito já enfraquecido.
Com efeito, podemos nos arriscar a dizer que a dicotomia presente na idéia que confronta os termos humano e animal é a primeira e a última das negligências que se conseqüenciam na exploração das outras espécies.
A par disso, a noção contrastante advinda do homem em choque com o animal une e confronta, simultaneamente. Primeiro, une todos que não são humanos numa classe que surge para demarcar os limites da ética ou do direito – o que se dirige ao escopo humano. Depois, confronta: eis o homem, o inclassificável, lidando com o que não é o homem – o classificado.
A circunstância é desconfortável, no mínimo. Entre um homem e um gorila há, sim, diferenças. Mas entre o gorila e o cão também, assim como entre o protozoário e o gato. Entretanto, reafirmamos, todos esses limites são ignorados pela estrutura sugerida a partir do “animal humano” versus o “animal não-humano”, terminologia que opta pelo achatamento.
Há um procedimento implícito nessa hipótese. A verdade é que, enquanto algum ser estiver preso, atado, à noção convenientemente plasmada para o termo o animal, ele ainda estará sujeito ao abatedouro, à exploração, à opressão. E isso só se ratifica no designativo “animal não-humano”.
Nessa relação estaria, agora não mais implícita, mas escancarada, a constatação de que o homem não vê os indivíduos de outras espécies viventes como “outros” ou “próximos”. Dizendo o animal, vê-los-ia tão-somente como espécies, e não como indivíduos. Daí, por exemplo, que causa alvoroço a ameaça de extinção, enquanto em nada comove a morte sistemática institucionalizada nos frigoríficos.
Na raiz, o processo que nos permite dizer “o animal” é o mesmo que autoriza embarcar o gado no caminhão e levá-lo à casa de abate. Seria esta a dificuldade fundadora do quebra-cabeça. A designação “o animal” importa em uma relação de poderes, que se estende até a faculdade de matar. A dita racionalidade do homem, a sua inteligência, e mesmo a sua humanidade, confirmam-se aí, neste caminho: a existência do “bruto” presta suporte à existência da “substância pensante”, porque é algo que se confirma por meio do contraste. O que seria da razão se não fosse a não-razão?
Ao olhar para “o animal”, para um animal-outro-qualquer, o homem buscaria confirmar-se e conhecer-se, como dito, pela lógica do contraste: “sou o que esse animal não é”. Pelo contrário, se imaginasse diante de si um espelho quando em frente a um “outro-animal-em-especial”, o homem estaria abrindo mão dessa relação de poderes e haveres. É assim, através de um espelho, que o homem veria nos animais [em geral], “outros” indivíduos “próximos” dele.
Tem-se que, ao buscar identificar-se pelo contraste, o homem inventa a si próprio, desfigura-se. De outro modo, quando o homem busca descobrir-se olhando para os animais como “outros”, ele passa a enxergar não mais uma imagem distorcida, mas sim a animalidade comum a todos. Ou seja, é neste instante que ele busca verdadeiramente conhecer a sua própria condição de animalidade, e assim supera o achatamento promovido pela classificabilidade dicotômica. Afinal, nesse momento já não importa mais ser humano, mas sim animais – no plural e em geral.
Ao reconhecer que compartilhamos da animalidade, é-nos imposto garantir a todos igual generosidade, pois a generosidade não é mais do que o trato devido àqueles idênticos no gênero da animalidade.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Toaletes e Guilhotinas: a denúncia da crueldade com os animais por Ezio Flavio Bazzo
Um escritor brasileiro, pouco conhecido, tem feito este papel de maneira brilhante, com um bom toque de humor ácido, que o cotidiano merece.
Ezio Flavio Bazzo é um escritor diferente, pois seus livros são encontrados na Internet, feitos de maneira quase artesanal e publicados de forma independente. Não há como traçar um estilo para suas obras, e deve ser esta a razão de não se tocar em seu nome nos centros literários. Cada livro é único, composto de mil estórias e confissões de viagens, mostrando de forma brilhante o ser humano da maneira como ele é. Uma biblioteca dentro de cada livro. Um acervo de milhares de notas de rodapé geniais.
Apesar de parecer triste à primeira leitura, ao se conhecer a obra do escritor, tem-se a idéia de uma forma bela de descrever a vida, reconhecendo a miséria humana e aceitando-a como parte do aprendizado, para quem tem a percepção da realidade.
Os livros são como uma espécie de literatura livre, onde não há compromisso com regras gramaticais, formalidades ou mesmo com o leitor. Há apenas a vontade de escrever. Portanto, aquele que leu apenas um livro de Ezio Flavio Bazzo não sabe o que são seus livros.
E muita gente não continua a ler, pois vê a si próprio neles.
Desde ‘Ecce Bestia’, que trata do assunto muito bem camuflado pela sociedade que é a exploração de animais para o sexo, mais comum do que se imagina, ou se quer imaginar. Ou ‘A lógica dos devassos’, que provoca a discussão sobre a pedofilia, um problema cercado de preconceitos entre os próprios pesquisadores do assunto. Ou ‘Manifesto aberto à estupidez humana’, espelho fiel da humanidade e do homem, um dos melhores livros que já li na minha vida.
A relação que temos com os escritores sempre é envolta em mistério, pois não conhecemos o autor das palavras que lemos. Muitos escritores estão mortos ou simplesmente moram do outro lado do planeta e nem sempre apreciam dialogar com os leitores. O máximo que acontece é o lamentável show de autógrafos. Mas este escritor é vivo. Tem um endereço de e-mail, responde aos leitores. Envia textos inéditos, manda presentes (livros!), está mais próximo do leitor e nos mostra, através deste comportamento, uma forma de ser muito bonita e diferente do aparente pessimismo que muitos vêem em seus livros.
Pois o livro ‘Toaletes e Guilhotinas’ fala de dois assuntos aparentemente divergentes, mas que têm muito em comum: a merda e a guilhotina. Além de um humor muito interessante, sobre a forma como lidamos com os excrementos, há a denúncia de que a humanidade possui em algum lugar de seus genes ou de sua psique um espírito sanguinário, que se empenha em construir mecanismos cada vez mais sofisticados para provocar o sofrimento alheio.
Sobre os animais, Bazzo escreve: “é desse fígado adulterado e canceroso que o patê (Foie Gras - em português: fígado gordo) da burguesia é feito. Oxalá lhe provoque pelo menos uma cirrose incurável ou uma Hepatite para vingar o martírio dos gansos. Quem visita uma dessas granjas fica impressionado com o desespero dos animais, que passam praticamente a vida toda sem sentir o gosto da comida. _ E os ecologistas? Perguntei-lhe. _ Não fazem nada. Pois o Foie Gras é para a França quase uma questão de Estado! O mesmo que o petróleo para os árabes e que o ópio para os birmaneses. A mim, esta pasta nojenta só revolta as tripas!”.
Sobre as execuções na guilhotina e a comparação com a morte de porcos, ele diz: “quem nasceu e cresceu no campo nem precisa ter boa memória para lembrar das execuções matinais, semanais e rigorosamente macabras. Os gritos de desespero do animal, um panelão com água fervente, o verdugo afiando a faca e três ou quatro vizinhos tomando chimarrão, fumando charuto ou simplesmente assistindo a execução. Fazendo um retrospecto desses tempos e desses porcocídios me dou conta de que o matador nunca é uma pessoa comum e que existem sujeitos que ‘sabem mais’ do que os outros no métier da morte. Lembro-me perfeitamente bem das mãos grotescas do homem que enfiava a lâmina na direção do coração dos porcos, e que eu estava sempre do lado dos suínos, torcendo para que eles, num último ataque de desespero, conseguissem devorar a mão ou pelo menos o joelho dos matadores.
Depois, assistia a carnificina e a retirada do coração mutilado, que o carniceiro exibia orgulhoso à ‘platéia’, exatamente como os verdugos faziam aqui, com a cabeça dos guilhotinados. Portanto, e por mais lírico que possa parecer, estou profundamente convicto de que uma civilização e uma sociedade que é contra a pena de morte para os homens, mas que segue matando todas as outras espécies para se alimentar, para vender seus chifres, seus dentes, sua pele, sua banha, seus hormônios etc, é uma civilização e uma sociedade, narcisista, chauvinista e hipócrita que, cedo ou tarde (mais cedo do que tarde), destroçará e comerá a si própria”.
E sobre a curiosa imagem de um livro de Jerry Rubin, que traz entre outras fotos a de uma mulher nua carregando uma cabeça de porco numa baixela: “vou me dando conta de como é impressionante o estágio de indiferença em que nos encontramos. Como é possível viver no meio de uma chacina e de um genocídio animal desses sem desesperar-se? Frangos, porcos, vacas, peixes, patos, rãs, camarões, coelhos, faisões, ovelhas, nenhuma espécie escapa à fome sanguinária dos homens, desses barrigudos inúteis que saem dos restaurantes de Montmartre palitando os dentes e arrotando”.
O comentário sobre uma gravura onde aparece um homem matando outro homem com um machado, e um homem com um cavalo observando a cena: “gosto dessa imagem, porque nela o ponto crucial de crueldade não está na lâmina do machado, nem nos lábios do homem que pratica a violência, mas curiosamente no olho do cavalo, dirigido de maneira ambivalente e fulminante para o sujeito que está prestes a ser assassinado. Esse eqüino estaria indignado ou apenas gozando com o massacre* e com a ruína de seu dono? O que impressiona realmente, é a rapidez com que se passou do machado à guilhotina e desta à cadeira elétrica, fato que evidencia o quanto o espírito assassino está incrustado nos séculos, nos punhos e no palavreado da espécie mais predadora que o planeta já teve notícias.
* Etimologicamente a palavra massacre vem do latim, macecre, um termo que está sempre ligado aos açougues e às carnifininas”.
E o melhor de todos é o comentário abaixo, de uma imagem de abatedouro de cavalos:

Sem nenhum tipo de deboche, olhem atentamente para a boca, as narinas, as orelhas e o corpo inteiro do cavalo: ele emana mais (luz) e mais simpatia que todos os (matadores) que o distraem, que lhe tapam os olhos e que no momento seguinte arremessarão contra sua cabeça o golpe da marreta. Diante de uma dessas cenas, quem é que em sã consciência, consegue seguir confiando nos homens? Acreditando em suas leis? Dormindo a seu lado? Apesar de toda a demagogia humanista, não resta dúvidas de que os crimes cometidos nos abatedouros contra as aves, os porcos, as vacas e outros animais, é o mesmo que se comete sobre o cadafalso, nas cadeiras elétricas, nos postes e nos paredões contra os homens. A única aparente diferença está na racionalização que se desenvolveu sobre o assunto e na necessidade doentia e criminosa da humanidade em seguir massacrando as outras espécies”.
Seus livros podem ser encontrados no site http://home.yawl.com.br/hp/eziob/.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Estado de SC terá de pagar multa por descumprir determinação que proíbe farra do boi

Fonte: Diário Catarinense
Memória dos animais
O psicólogo de animais Patfield comprou um bezerro e um boi em um matadouro em Chicago. Antes, havia combinado que ambos os animais fossem "presenciar" a matança de 150 bois. Em seguida, foram colocados em um caminhão e levados para um pasto com estábulo, que Patfield havia alugado. Patfield conseguiu que cinco abatedores que trabalharam no matadouro de Chicago fossem mostrados, seguidamente, ao bezerro e ao boi durante a matança. Ao longo de dois anos seguintes, os dois animais adquiridos do matadouro não tornaram a ver os abatedores.
Enquanto o boi ficou sozinho, o bezerro foi incorporado, após um ano, a um rebanho. Antes, Patfield lhe havia feito grandes marcas nas orelhas.
Após dois anos, o etólogo convidou os abatedores e os levou de carro até o pasto, onde o boi calmamente estava deitado na relva. Quando os homens desceram do carro, o boi se espantou. Levou apenas 12 segundos. Em seguida, enfureceu-se, devastou o estábulo e jogou-se contra a cerca alta e forte de arame, onde caiu ferido. Ele gemia e urrava de medo, ao ver os homens se aproximarem.
No rebanho (no pasto), o bezerro marcado foi o único que fugiu quando se aproximaram os cinco homens que estavam gravados em sua memória. Ele desembestou em pânico. Esperaram, de propósito, 24 horas para procurar o animal. A equipe de busca encontrou o bezerro após cinco dias, a uma distância de 190 km, onde havia se juntado a um rebanho estranho. Havia perdido 55 kg do seu peso."
Fonte: Informationskreis gegen
Tierversuche, Konstanz, Suíça
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Sea Shepherd retorna da guerra contra caça às baleias

Eu sempre disse que faríamos o possível de forma não violenta para terminar com a caça ilegal no Santuário Antártico das Baleias, declarou o Capitão Paul Watson. Nós fizemos tudo que foi possível com os recursos disponíveis a nós este ano. Fechamos as suas operações ilegais durante um mês. Nós custamos dinheiro a eles e salvamos as vidas de muitas baleias. E embora estejamos dispostos a correr riscos, até mesmo colocando nossas vidas na linha de tiro, eu não estou preparado a fazer o que os baleeiros japoneses fazem as baleias. E se a violência dos baleeiros japoneses continuar aumentando na proporção que aconteceu nos últimos dias, isso resultará em sérios danos e possivelmente fatalidades.
O Capitão Watson disse que tem operado em desvantagem contra três navios arpoadores que são superiores ao Steve Irwin em velocidade e dirigibilidade.
Nós precisamos bloquear esses arpões mortais e precisamos ser mais rápidos que estes assassinos e para fazer isto, preciso de um navio mais rápido que os deles, e pretendo adquirir um e retornar ano que vem, comentou Watson. Nós jamais deixaremos de interferir contra as suas operações baleeiras ilegais e nunca pararemos de bloquear e custar dinheiro a eles. Eu pretendo ser o pesadelo deles todos os anos até que eles parem com esta morte horrorosa e ilícita das grandes baleias no Santuário Antártico.
A tripulação do Steve Irwin perseguiu a frota japonesa do dia 18 de dezembro a 7 de janeiro por mais de 2.000 milhas náuticas, fechando suas operações durante um mês. Saímos para reabastecer. A tripulação retornou e localizou novamente a frota no dia 1º de fevereiro e durante os 9 dias seguintes, os baleeiros conseguiram matar apenas cinco baleias.
Uma perseguição ao Yushin Maru No.2 pelo Steve Irwin entre gelo denso no dia 20 de dezembro causou danos a hélice do navio baleeiro e forçou-os a saírem da caça por um mês e meio. Para a vergonha do governo japonês, foi negado concerto ao seu navio baleeiro na Indonésia além de estarem proibidos de aportar na Nova Zelândia e Austrália.
Confrontos entre o Steve Irwin e a frota baleeira resultaram em vários incidentes perigosos e duas colisões que causaram danos mínimos as embarcações. A frota baleeira este ano utilizou armas militares denominadas de Dispositivo Acústico de Longo Alcance (LRAD sigla em inglês) e canhões d'água de alta pressão direcionados contra a tripulação da Sea Shepherd. Nenhum baleeiro foi ferido. Três tripulantes do Steve Irwin foram feridos e um deles precisou levar cinco pontos sobre o olho esquerdo depois de desmaiar ao ser bombardeado com a arma acústica LRAD.
Capitão Paul Watson desmente as acusações japonesas que a Sea Shepherd bateu propositalmente em seus navios arpoadores.
Os baleeiros e seus papagaios das relações públicas podem dizer o que bem entendem, mas nós temos mais de 1.000 horas de gravações em vídeo que documenta todos os momentos da campanha. Nossa história será contada em uma série semanal do Animal Planet chamada Guerras das Baleias. As pessoas poderão assistir e julgar por si próprias. A máquina fotográfica é a arma mais poderosa no mundo e nós pretendemos demonstrar o seu total poder.
No dia 31 de janeiro, o governo japonês despachou de Fiji um navio de segurança chamado de Taiyo Maru #38 para interceptar o Steve Irwin. De acordo com fontes em Fiji, temos motivo para acreditar que este navio esta trazendo unidades especiais de abordagem, com ordens para aprender o navio e toda a evidência cinematográfica. Espera-se que o navio chegue ao Mar de Ross dentro de alguns dias.
Nós não podemos permitir que esta documentação seja capturada pelo Japão, disse Capitão Watson.

O Steve Irwin está voltando à Austrália e espera chegar dentro das próximas duas semanas. De qualquer maneira o navio tem apenas mais quatro dias de reservas de combustível para permanecer com a frota antes de ser forçado a retornar.
O risco a vida da tripulação é simplesmente grande demais para ficarmos quatro dias a mais, disse Capitão Watson. Nós estamos aqui porque respeitamos a santidade da vida. Os baleeiros estão aqui para destruírem a vida. As pessoas podem escolher em apoiar a vida ou a morte, entre os baleeiros ou os defensores das baleias. Nós escolhemos defender a vida, e para todos aqueles que condenam o que estamos fazendo, eu só posso dizer uma coisa. Nós não estamos aqui por vocês, estamos aqui pelas baleias.
Fonte: Instituto Sea Shepherd
domingo, 18 de janeiro de 2009
Salve uma vida matando outra
Não é uma questão de mensurar quem é mais importante, é apenas inaceitável.
A ONG Intermón Oxfam está com uma campanha que se chama “Algo mais que um presente” - nos sites do Yahoo se pode encontrar sua publicidade – você pode encomendar um animal para servir de comida a pessoas com fome em regiões necessitadas... Entre os presentes, é possível comprar também uma bicicleta, uma caixa d’água ou uma horta familiar, mas infelizmente você pode também enviar animais, como cabras, galinhas, vacas ou mesmo um burro para servirem de carne e tração animal a essa gente.
Vou deixa
r bem claro: NÃO CONCORDO COM ISSO!E me importo sim com essa gente, tanto que estaria agora a caminho da Palestina se não fosse as gravações do próximo filme. Irei logo que terminar este contrato.
Estou em desacordo com essa estratégia, pois enviar um animal para ser morto é algo intolerável, ainda que salve outra vida. Também porque é muito mais caro enviar carne que alimentos vegetais, porém talvez não se tenha a mesma repercussão midiática, não é verdade?
Pode parecer, em um primeiro momento, que este comentário é uma crítica a um ato nobre. No entanto não há ato nobre onde se utilize o especismo, o racismo ou a exploração sexual para promover qualquer tipo de ajuste social.
Se desejamos uma sociedade pacífica e justa não podemos seguir assinando cheques e contratos com sangue. Somos inteligentes ou estúpidos, afinal?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
The Smiths - Meat is Murder

terça-feira, 13 de janeiro de 2009
DDA integra programação da RadioCom
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Cada um na sua, mas nem tanto

Sempre ouvi dizer que religião e futebol não se discutem. Ora, futebol é um negócio ilógico e movido a paixão. Quando o assunto é religião, nada, exceto a fé, presta-lhe suporte. Em alguns casos, beira-se o fundamentalismo quando se vai justificar o porquê de ser Farrapo, Xavante, Lobão, Cristão ou Muçulmano. Veja-se que quando o processo de escolha se opera irracionalmente, fica brutalmente difícil especular sobre a coerência da opção levada a efeito. Vira tabu.
É algo parecido que experimento quando passo a abordar a relação do humano com os outros animais. Tudo ficou marcado por certos aspectos tão proibitivos que atualmente se prefere referir que “sobre animais, também não se discute”. Tanto é assim que o fato de dar causa a um debate desse gênero é motivo para ser tachado de “fundamentalista”, radical e até misantropo. Só porque construí e divulguei o pensamento de que os humanos matam animais por motivos manifestamente frívolos.
Alguns optam por repetir a velha objeção “deixe os outros com as suas escolhas”. Deixe os outros comerem o que quiserem. Respeite a minha opinião – alguns bradam. Cada um na sua, afinal.
Anunciei, no princípio, que até poderia entender o porquê de certos tabus. Quase sempre isso tem a ver com a falta de reflexão coerente sobre o tema. É o que me leva a concluir sobre a natureza do interdito que paira sobre a condição animal: estamos informados por um processo de não-pensamento.
As pessoas justificam suas opções nesta seara geralmente com discursos irracionalmente articulados. Fica tudo por conta da cultura, do hábito e da comodidade, como se com isso estivesse tudo cabalmente justificado.
Traduzindo nossa conversa, poderia esclarecer que torcedor de futebol é, sim, fundamentalista. O religioso é, no mais das vezes, um indivíduo que em algum momento nega frontalmente a racionalidade. E, por ora, asseguro que a pessoa que se opõe à dignidade extensível a todos animais está embasada em pretextos similares. Igualmente fundamentalistas e irracionais.
A questão passa a ser, então: devemos venerar estas opiniões que aprovam a barbárie contra os não-humanos? Estimo que meus leitores compreendam que ninguém deve reverenciar as opiniões alheias só por que são “as escolhas dos outros”. Esse é o núcleo essencial da minha fala. Posso questionar tudo ao meu redor, até mesmo os tabus – e especialmente os relativos à condição animal.
Se devo, então, respeitar o que é dito mundo afora, há de ser pela validade dos argumentos e a verdade das premissas. Acaso se discorde, que seja racional e fundamentadamente, para que o leitor não incida, ele próprio, no seu íntimo fundamentalismo.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Vida (pós)moderna de galináceo* **
Membro-fundador do DDA

Dois galos conversando. Algo anormal???
Enfim, tratavam-se de dois galos, um novinho recém pintinho e outro galo velho, contando vantagens, pois se encontrava vivo e não em panelas alheias, sob o pretexto da alimentação carnívora. Por motivos óbvios, não era um diálogo à beira da fogueira, como gostam de contar os antigos, tampouco na cozinha, à dona benta. NÃO! Eles estavam perto do puleiro, porque o galo velho gostava que as galinhas ouvissem suas histórias, com o intuito de que seus feitos se perpetuassem por gerações, em verdade, essa era a motivação secundária, a primeira como todo o bom galo – velho ou não – era tentar “conquistar” galinhas. Não obstante, dessa vez, não seria o galo velho a contar seus feitos, quem falava era o galo jovem, enquanto os outros galináceos ouviam absortos as fábulas desse. Afinal, esses seres ciscadores queriam que o jovem galo urbano contasse aos cocoricórdeos interioranos como era a vida na cidade. O galo, apesar da jovialidade, apresentava dificuldades para relatar seus feitos, sim, estava cansando, muito embora a sua idade representasse maior resistência aos desafios da vida animal. Pois é, não para qualquer galináceo urbano, nos idos pós-modernos, estar vivo... Nesse exato, não tão exato momento, o cocoricórdeo pós-moderno poderia estar congeladinho, aguardando a sede carnívora de algum animal da espécie humana.
O galinho começou com a voz trêmula, todos a sua volta prestando atenção, fitado pelo galo velho intimidava-se, parecia que as vogais e consoantes que aprendera a “somar” e pronunciar, perderam-se, espaços odiosos no discurso apareceram, como ahhhhhhhhh... né! Como se diz nos preceitos comuns, isso era perfumaria, gago ou não, os corcoricórdeos interioranos queriam saber das novidades.
Embobora nãoooo tenha ahhhhhhh a mesma facilidadade que o galo velho de cococontar histórias, vovou dizer o que se papassa na cidadade, né! Agogora a moda é sósó nos comer, o pepessoal tá entrando numa m-o-d-a nova, abobolindo a cacarne vermelha. E nisso ouviu-se um movimento intenso na fazendola, o que seria? Tratavam-se do bovinos, vibrando intensamente com a notícia da urbs... O galinho continuou contando, agora com mais confiança, Tem uns tal de vegetarianos que defendem a nossa libertação, não nos comem mais, gostam mais da tal de, da tal de... SOJA! Isso mesmo, soja, tudo é de soja, ela imita até carne, Que bixo é esse? Não sei ainda, tô investigando, mas desconfio que seja um rato em forma de bola, Por que um rato? Porque humanos adoram experiências com ratos, utilizam os bixinhos pra tudo, dizem que eles são parecidos, Devem ser mesmos, E são, Não é pra menos, Mas se eles não comem carne, por que comeriam ratos soja? Eu presumo que rato não seja carne... Silêncio absoluto. Hummmm, como presunto, Exato como presunto. Ainda bem que só comemos milho, Pois é, só milho, melhor que matar outros animais, Bom lembrar que alguns de nossos camaradas sofrem nas granjas, disse o galo velho, O que é granja? Perguntou uma jove\m galinha, Viu! Nem tenta galinho, falta consciência de classe pra esses cocóricórdeos, Não sei do que o senhor está falando, Tu também! Como assim? Te recusas a enxergar? Não, Então luta! Pois não... Então os dois galos se atracaram e lutaram até a morte, os que apostaram no galo velho faturaram mais, os que apostaram no galinho jovem perderam e sairam indignados, mas ao final ambos acabaram na panela ou no forno, bem temperados para não parecer que é carne, galo é carne? Não é carne branca, Carne branca não é carne? Não, é como o presunto... E todos seguiram sem entender que os animais sofrem! É a vida pós-moderna de galináceo
*Originalmente publicado no Jornal Diário da Manhã, em 2007.
**Hector dedica este texto ao mestre Pedro Moacyr
Hector Cury Soares, 23, parceiro desde o início (membro fundador do grupo), vai se empenhar em compartilhar conosco, sempre que possível, os seus devaneios. Hector é Vegetariano, não-cristão, e mestrando em artes jurídico-circenses. Não aprendeu a se conformar com a história oficial. sábado, 10 de janeiro de 2009
Por qual prazer vivemos?

Escuta-se muito o ponto de vista segundo o qual prazer ou vontade não se discutem. E há certa razão, sem dúvida: o que se faz ou se deixa de fazer na esfera privada, isto é, do indivíduo para si ou seus próximos, não deve interessar a mais ninguém. Mas quando se transporta isso à esfera pública, tem-se um problema. Quando eu penso que pessoa X é suculenta, nem por isso posso comê-la sem lhe pedir consentimento. Mesmo que ela seja surda, muda, cega, tenha retardo mental e por tudo isso não consiga comunicar-me se quer ou não, comê-la seria de uma estupidez inaceitável. Isso porque minha vontade não depende só de mim. Mesmo que nada me digam os diretamente interessados.
Se eu considerar que toda a complexidade da pessoa X nada significa, e comê-la por prazer, sempre poderei afirmar que estava delicioso. E há diversas coisas que jamais provei, ainda que já tenha sido carnívoro: Carne de gato, de cachorro, de mendigo, de bebê anencéfalo e de tantos outros (cujo exemplo a ser levantado poderia me transformar num neonazista). Certamente, eu sentiria prazer em diversas outras carnes, na minha esfera individual. Mas há um motivo pelo qual nunca comi um mendigo: trata-se de outro indivíduo, com toda sua particularidade, ainda que a sociedade o rejeite - muito provavelmente ainda mais do que rejeitam porcos e vacas.
Mas por quê? Bastante simples: na maioria dos casos, confundem-se os prazeres particulares com os prazeres públicos. Quem tem terras inúteis não as quer entregar. Quem anda de carro não quer calçadas maiores. Quem tem 5 mulheres não quer que elas tenham 5 homens. Quem come porco não quer que ele utilize sequer o mínimo de suas funções biológicas.
Confrontamo-nos com claras hipocrisias. É o "anti-hegemônico" não aceitando se desfazer de prazeres públicos pelo outro, é o outro que não vive por si mesmo, é o viver se transformando em máquina, é a máquina tomando conta do natural, é o natural só existindo na religião, é a religião reivindicando direito à crença e abafando outras crenças, é a crença, por fim, em falta. Será possível uma educação para a alteridade? Comecemos por nos autoquestionar.
Férias no litoral?!
Em Capão da Canoa, RS, durante os últimos dias do ano, eu e minha esposa presenciamos um desfile de carroças puxadas por cavalos surrados e esqueléticos em meio ao trânsito caótico daquela cidade. Em seguida, os animais permaneciam embaixo de sol escaldante, com cascos em péssimas condições, estacionados em local proibido, enquanto seus 'donos' faziam serviços em residências de veranistas, ou remexiam no lixo. Durante a folga, eram deixados dentro de valões para comer o capim que nascia em meio à água suja.


Na avenida Paraguassu, que liga diversas praias do Litoral, um cachorro de grande porte, visivelmente recém-abandonado, tentava seguir cada automóvel, como se fosse de seus 'antigos donos'. Aguardava um novo veículo se aproximar para 'fazer festa', como deve ter feito inúmeras vezes em seu antigo lar. Uma triste cena.
Mas a gota d'água foi um lance ocorrido em pleno calçadão da praia, no Centro de Capão. Um cachorro esfomeado e com olhar carente circulava por entre as mesas, até levar um pontapé de um funcionário do Kioske do Surfe. Questionado sobre a violência, disse que deu chute no animal pois "não podia tocar nele com as mãos". Ainda ironizou, dizendo que podíamos ficar à vontade para ir embora e chamar a Brigada Militar, se quiséssemos - sob o riso de clientes de outras mesas.
No dia 31 de dezembro, ao contrário de milhares de pessoas que pegavam a Free-Way rumo ao Litoral, retornamos a Porto Alegre, pois não nos sentimos à vontade para comemorar lá a chegada do Ano-novo.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
SAC Vegano
É frequente também nos perguntarmos o que faz tal pessoa prestando informações por meio de um SAC. Até onde eu sei, SAC é “Serviço de Atendimento ao Consumidor”. Empresas dependem dos consumidores e, imagino eu, quem chegar ao ponto de entrar em contato deve estar realmente interessado nos produtos. Não sei se é jogada de marketing ou apenas descaso, mas ainda tento entender por que colocam o sobrinho de 12 anos para responder nossos e-mails.
Enfim, nosso desejo é sempre que todas as empresas sejam ou se tornem veganas, mas, como não vivemos em um mundo tão bonito, já ficamos felicíssimos quando os SACs respondem (ou chegam perto disso) nossas perguntas! É realmente estimulante quando as empresas sabem nos informar a respeito de seus produtos (o que não deveria ser exceção). Enfim, mesmo acreditando que isso não é um favor, contentamo-nos mesmo assim.
* Linha Gold Black - pode conter ingredientes de origem animal
* Linha Hair Dry - pode conter ingredientes de origem animal
* Linha Mais – Não contém ingredientes de origem animal
* Linha Mariana - Não contém ingredientes de origem animal
* Linha Amend - pode conter ingredientes de origem animal
* Linha Hair Care - pode contém ingredientes de origem animal
Sobre testes em animais, escreveu o SAC:
“Informamos que não realizamos testes em animais ou em tecidos de animais criados exclusivamente para pesquisa, nem estimulamos estes tipos de testes. As avaliações de segurança de ingredientes são realizadas através de métodos cientificamente válidos em humanos voluntários, visando à comprovação da compatibilidade, aceitabilidade e benefício, sempre atendendo aos princípios de ética em pesquisa envolvendo seres humanos.”

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Indústria Carnicínica

Não são raras as vezes em que me apresentam este argumento em defesa ao consumo de carne e manutenção da indústria carnicínica:
Pois sim...
Vejamos, este é um equívoco clássico de argumentação, quando se faz uso de uma verdade para convencer-se de uma mentira.
O grande erro, acima de tudo, é ver os animais como uma entidade esquecendo que também, assim como você e eu, são indivíduos. Dessa forma, matar um animal para que se possa seguir matando a toda sua linhagem de forma infinita não é propriamente um gênero de salvação.
De fato, a Indústria carnicínica é responsável por evitar a extinção de algumas espécies, como foi o caso da raça suína Mangálica, que estava praticamente extinta na Hungria e foi “recuperada” por uma empresa espanhola por possuir um interesse na produção de jamón (pernas de porco), muito apreciado no sul da Europa.
Hoje existem milhares, talvez milhões desses porcos sendo explorados em galpões da Hungria e Espanha. É este tipo de preservação que buscamos para os animais?
Cada porquinho que nasce é castrado, tem suas orelhas e rabo mutilados; cortam-lhe os dentes e lhe queimam a pele logo que começa a viver. Depois, vai passar alguns meses sob intensa tortura, recebendo alimentação repleta de hormônios e drogas, até que o matem. Mas estará livre da extinção…
A Indústria carnicínica tenta convencer você de que possui um papel de protetora dos animais, que os ama e que cada animal é feliz em morrer e, dessa forma, dar sentido a sua vida. Você precisa começar a pensar antes de comer.
Cada pedaço de carne em seu prato vem de um indivíduo, não de uma entidade. Foi arrancado de um ser senciente, que sentiu medo e dor a vida toda e possivelmente jamais viu a luz do Sol ou encostou as patas sobre grama.
Os donos da Industria carnicínica sabem disso e por isso tentam confundir você e lhe convencer de que são heróis, quando não são menos que assassinos.
Mas o cinismo se combate com a razão, e para tanto basta pensar antes de comer.

Separação


Igualdade Míope
Negros não são iguais a brancos quando o assunto é atletismo (é o que se vê quanto aos recordes olímpicos). Mulheres não são iguais aos homens quando se trata de levantar pesos. O problema, com efeito, não é “se somos iguais”. A confusão surge quando nos indagamos: a cor da pele é um motivo justo para a discriminação? O sexo seria?
Somos injustos quando estabelecemos limites despóticos para garantir a certos grupos algumas prerrogativas que não são garantidas a outros grupos que permanecem à margem daquelas fronteiras arbitrárias. Se eu dissesse que negros não devem ter direito a voto isso seria tremendamente absurdo, pois todo mundo ostenta o mesmo interesse em votar. Se eu dissesse que uma vaca não deve ter direito à vida isso seria bizarro, pois, tanto quanto os humanos, a vaca tem interesse em permanecer viva e ter sua integridade física preservada.
Você não concorda com essa afirmação? Poxa, sejamos democráticos! A vaca não tem interesse à vida porque não fala? Opa, mas bebês humanos também não falam.
Animais (coelhos, p. ex.), têm interesse em enxergar. Mulheres, em geral, gostam de usar batom. Podemos preterir o interesse de um coelho em enxergar em face da vontade de uma moça vaidosa que quer usar um batom que foi testado em animais (no caso, o teste de sensibilidade ocular)? Essa barreira, que chamamos de espécie, não parece arbitrária demais nestes casos?
Antes que alguém pense que pretendo garantir o direito a voto para os coelhos, vou esclarecer: coelhos não têm interesse em votar. Mas seguramente não gostam de passar a vida numa jaula, sofrendo. Você não deixaria isso acontecer com o cachorrinho que vive na sua casa. Talvez porque achem o seu cachorro bonitinho.
Engraçado. Achar ou não bonitinho certo animal é o critério que temos para dizer se ele vai ou não para a panela, ou se vai passar a vida sofrendo. Mas todo mundo era ruim quando se dizia que um negro era “coisa” por causa da cor da pele.
Eu não preciso achar negros bonitinhos para perceber que, quando se trata de viver, votar, ser feliz e ter direitos, somos todos iguais. Sendo que, me sinto igual a um coelho quando penso que estou vivo.
Concentração
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Mesmo com isso, continuamos...
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Radicalismo é fundamental
Não é tão difícil, tampouco uma tortura. Temos que mudar nossas vidas, sim! Mudamos quando deixamos a casa dos pais, quando constituímos família e quando nos aposentamos. Para salvar este planeta temos que mudar também, e comprovadamente somos capazes, ao menos a maioria de nós. E salvar o planeta significa salvar seu colega de faculdade, sua irmã, seu neto que vai passar pelas mesmas ruas que você e, com sorte, banhar-se nos mesmos lagos... Significa salvar aquele velho amigo que você nem chegou a conhecer ainda, mas que se tudo der certo, ainda será alguém muito importante na sua vida. Eu sei que todos temos coisas importantes pra fazer e todos merecemos momentos de ócio, mas ainda assim, mesmo a pessoa mais importante da face da terra (e muito mais essa) dedicaria todo o tempo que pudesse para transformar sua vida, fazer dela melhor e mudar o destino triste a que estamos fadados se não houverem transformações “radicais” ainda nos próximos 5 anos. Pois o planeta que nos serve de casa, sem uma reavaliação dramática na forma como exploramos a natureza e seus habitantes, não será nada amistoso, agradável e prazeroso em 2060... apenas cinqüenta anos a frente. Acredite radicalmente nisso.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
'Testes' em animais dão resultado
Em um estudo realizado pelo FBI entre 1979 e 1983 com 36 serial killers, com registro de violência sexual, 36% torturaram animais quando criança, e 46% na adolescência. Henry Lee Lucas, o mais famoso assassino serial dos Estados Unidos, responsável por pelo menos 350 mortes nos anos 70, é um dos que ‘ensaiaram’ com animais quando jovem. “Se Henry encontrasse um animal de estimação, sua mãe o mataria, e ele começou a entender que a vida - como o sexo - era barata”, relata Michael Newton. “Ela também introduziu o garoto à bestialidade, ensinando Henry a matar diversos animais após serem abusados sexualmente e torturados”. Lucas escapou da pena de morte graças a um indulto do então governador... George W. Bush.
Adolfo de Jesus Constanzo, também dos EUA, era praticante da feitiçaria conhecida como palo mayombe, e seus sacrifícios de animais logo se mostraram menos eficazes para seus clientes, então ele passou ao sacrifício de pessoas. “Adolfo estabeleceu um menu para animais de sacrifício, com galos custando 6 dólares a cabeça, bodes por 30 dólares, jibóia por 450 dólares, zebras adultas por 1.100 dólares e filhotes de leão africano listados em 3.100 dólares cada um”. Quando seu culto foi desbaratado, dezenas de corpos humanos e animais, despedaçados, estavam armazenados em sua ‘capela’, escreve Newton.
Outro que levou o ‘hobby’ vida adulta adiante, David Richard Berkowitz, matou dezenas de mulheres em Nova York, no final dos anos setenta. Ele pertencia a uma seita chamada ‘Four P Movement’, que misturava assassinato em série, crueldade com animais e Aleister Crowley. “(...) Culto homicida que se especializou em esfolar cachorros vivos e atirar em vítimas em ruas escuras. Chamando a si mesmos de ‘As Crianças’, os seguidores operaram a partir de uma base em Untermeyer Park, onde cachorros mutilados foram periodicamente encontrados”, explica Michael Newton.
São apenas alguns exemplos extremos, mas com bastante significado em relação ao uso e abuso de poder levado às últimas conseqüências, dos humanos sobre os não-humanos... e sobre os humanos pegos de surpresa, naquele momento, por algum maníaco.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Sea Shepherd encontra a frota baleeira!

Os caçadores japoneses foram pegos dentro do território antártico da Austrália, em um desprezo grosseiro à ordem do Tribunal Federal australiano, de janeiro de 2008, que os proíbe de caçar baleias na Zona de Exclusão Econômica da Austrália.
“Há uma linha pontilhada no mapa que claramente define essas águas como sob a autoridade econômica do governo da Austrália,” disse o Capitão Paul Watson, fundador e presidente da Sea Shepherd. “No governo australiano existem alguns argumentando que o Japão não reconhece a autoridade da Austrália e, dessa forma, nada pode ser feito. Os australianos deveriam estar contentes com o fato de que seus representantes, em 1942, não cederam tão facilmente quando os japoneses se recusaram a reconhecer a soberania do país. Se eles tivessem cedido, hoje haveria bases de caça às baleias na Austrália.
“Achá-los foi uma questão relativamente simples. Só tivemos que fazer o que eles fizeram. Esperavam que nós começássemos nossa busca do sentido oeste para o sudoeste da Tasmânia. Nós até postamos uma falsa notícia sobre estar filmando a ilha MacQuarie para levá-los ao caminho errado, e funcionou. No final do dia, nosso pressentimento se concretizou, e eles estavam exatamente onde pensamos que estariam – numa área em que não deveriam estar. Eles estão caçando em difíceis condições do gelo. Talvez, num esforço para se manterem escondidos, eles têm trabalhado entre as geleiras e as derivas de placas de gelo. Agora estamos aqui para impedi-los.”
Bom natal...
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Diário Popular surpreende
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Fim de ano
Nesse período de férias, possivelmente diminuiremos a intensidade de nossas publicações e da cobertura midiática que procuramos fazer. Afinal, 2008 foi um ano de muito trabalho e precisamos recarregar as baterias para o que vem pela frente.
2009 promete oferecer um calendário cheio de ações visando à expansão da consciência e do respeito em face dos animais. Até lá, ainda vamos nos ver, mas desde já registramos aqui nossa convocação: façamos todos muito mais do que fizemos até agora.
Agradecemos a todos que mobilizaram esforços neste ano, sempre à custa de privações pessoais; um esforço que nem sempre é reconhecido pela sociedade, que demanda imediatismo e nega a validade de pensamentos de vanguarda.
Nossa causa é urgente, sabemos. Mas qualquer resultado alvissareiro que se queira consolidar no futuro é construído por passos dados firmemente no presente - passos nem sempre grandiosos em extensão, mas de uma magnitude incomensurável em boa vontade.
Não seria possível nomear a todos, claro. Mas mesmo com as injustiças que fatalmente cometeremos, registramos aqui uma lista de pessoas muito especiais:
Lúcia Badia, Lawrence Estivalet, Hector Cury, Roberta Manaa (Betinha), Henrique Reichow, Pablo, Luíza (Lú), Camila (Cami), Natália Cabral, Camila Cabral, Jaime Chatkin, Sandro Ferreira, Marcio Bueno, Rachel (La Chica), Ellen Freitas, Márcia Chaplin, Priscila (Zombitch), Cíntia Passos [vê se aparece!], Anne (Vegane), Emília, Dani Lombardi, Natália da Rosa, Priscila e Nando.
Um grande abraço!
Anderson Reichow
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Coluna "Através do Espelho" já conta com publicações
Gatinhos de rua salvam a vida de menino

Sozinho, valeram-lhe oito gatos vadios, que lhe trouxeram comida e o mantiveram quente com os próprios corpos, evitando que morresse de frio nas noites geladas que passou na rua.
O menino foi encontrado na passada quarta-feira por uma policial, que estranhou ver um grupo de gatos amontoados em redor de um objeto – era a criança, que dormia serenamente aquecida pelo calor dos corpos dos felinos. Os médicos dizem que o pequeno está bem de saúde, e que só sobreviveu devido à ajuda dos gatos.
Fonte: Correio da Manhã / ANDA
O que é isso no meu prato? - bacon e presunto*
O espaço destinado às porcas mães não permite que elas façam qualquer movimento que não seja levantar e deitar, a fim de impedir que o confinamento imposto pelo produtor acabe resultando no esmagamento dos filhotes, que ficam ao lado da zona de contenção da porca lactante. Após o desmame, elas voltam para as celas de gestação. Em tais celas as porcas permanecerão para serem inseminadas, quando entrarem novamente no cio, e, após, por todo o período de cerca de 114 dias de gestação; durante esse tempo também não terão a possibilidade de caminharem ou sequer de se virarem, eis que a gaiola é quase exatamente de seu tamanho.
Depois retornarão para a cela de parição e assim sucessivamente...
Quanto aos filhotes, que nunca mais terão contato com a mãe, passarão, misturados com os filhotes de outras mães, por etapas chamadas de creche, recria e terminação, até atingirem o peso ideal para serem abatidos, geralmente aos 6 meses de vida. Nessas etapas, viverão em chiqueiros de cimento, confinados em pequenos grupos; quanto menor a possibilidade de movimentação, maior o peso adquirido e menor a musculatura desenvolvida, aumentando assim o lucro do produtor. Atingindo o peso suficiente ao abate, os porcos são levados em caminhões para o matadouro.
Neste, são atordoados, geralmente através de um choque elétrico, para a seguir serem “sangrados” com um instrumento perfurante, vindo a falecer. A partir daí, seguem-se os procedimentos destinados ao corte da carne do animal, para fabricação de embutidos e outros produtos dela derivados, como o bacon, o presunto e a lingüiça.
O destino das mães será o mesmo quando apresentarem queda de fertilidade, o que ocorre por volta do 3º ano de vida. Os porcos são animais inteligentes (tanto quanto os cães), curiosos e, principalmente, sensíveis, com a mesma capacidade do ser humano de experimentar sensações como medo, pavor, dor, angústia etc.
As porcas-mães são extremamente dedicadas aos filhotes que vão nascer, chegando a fazer dois ninhos para depois escolher o que melhor os abrigará, caso estejam vivendo em seu meio natural.
Também é do comportamento natural dos porcos o ato de brincar, estabelecer vínculos sociais, deitar ao sol e explorar o meio ambiente onde vivem, o que é impossível de ser feito em sistemas de “produção”.
Assim sendo, animais que teriam uma expectativa de vida em torno de 20 anos vivem apenas alguns poucos meses em galpões de suinocultura, em pequenos chiqueiros de cimento, sem nunca pisarem no chão ou ficarem ao ar livre, sem a possibilidade de exercerem seu comportamento natural ou sequer caminharem à luz do dia, para então serem mortos em meio aos gritos, o pavor e o fedor de um matadouro.
E por que isso acontece? Para que outros seres inteligentes e sensíveis, os humanos, exerçam o primitivo, brutal e, acima de tudo, desnecessário ato de comer a sua carne.
Trata-se da busca da satisfação dos prazeres e caprichos humanos se sobrepujando aos princípios éticos mais relevantes - o respeito à vida e à liberdade de outros seres vivos senscientes -, apenas porque são de outra “espécie”, assim como já se fez em relação a seres de outras raças, outros sexos, outras crenças.
Assim, cada vez que uma pessoa adquire algum dos produtos acima mencionados, está mantendo esse sistema cruel e injusto a que são submetidos outros animais.
Eis a sua porção (1)

O usuário de drogas pode se apavorar com as barbáries do tráfico e permanecer, torpe, conjecturando. “Pô, quanta guerra, quero paz e amor”. Ele está enganando a si, pois nega o nexo entre sua conduta e aquelas conseqüências.
Quando uma pistola pneumática estoura os miolos de um boi, o tempo parece parar. Ninguém tem nada a ver com isso. É cultural e o boi já foi criado para esse fim. Não tá certo, mas a culpa não é nossa.
Há também quem refute a existência de um problema enquanto o sangue jorra da garganta do animal, e a mídia se empenha muito em ajudar nessa negação. O desenho do franguinho sorridente na propaganda, e os porquinhos cantando no comercial, nos fazem pensar que tudo está bem na fazenda do tio McDonald. E a própria consciência do sujeito se encarrega do resto, isentando-se e procurando a culpa na conduta dos nossos ancestrais.
É muito fácil deslocar o foco da ação e apontar para o lado errado, para outras coisas que fazem parte do caminho que leva o animal para o abatedouro. É claro que a cultura também viaja no caminhão que transporta os porquinhos para o frigorífico, mas é o dinheiro de todos que vai atado no músculo amputado que fritaram hoje, na sua cozinha.
É comum querer jogar a culpa no sistema, no dinheiro, etc. Em alguma medida está certo, mas temos que tomar cuidado com a dimensão exata das nossas reflexões. O problema até pode ser o dinheiro. Porém, façamos a conexão. No caso do abatedouro, quem pagou para puxar o gatilho?
Enquanto discutimos a pertinência filosófica dos argumentos pró-animais, muitos estão laborando para consolidar sua negação ao status do problema. Porém, o raciocínio é bem mais simples: é cultural, seu bisavô já era assim, e pode até ser gostoso, mas se você pára de comprar, ‘eles’ param de matar.
Constrangimento
domingo, 21 de dezembro de 2008
SOSRIPA - proteção dos animais
Se alguém tiver a disponibilidade de ajudar, entre em contato conosco.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Morre no Congo, aos 66 anos, o chimpanzé Gregoire

Por Lobo Pasolini, da redação da ANDA
O Jane Goodall Institute (JGI) anunciou hoje que Gregoire, o mais velho conhecido chimpanzé na África, morreu ontem dormindo no Tchimpounga Chimpanzee Rehabilitation Center mantido pelo JGI. Gregoire, que tinha aproxidamente 66 anos, dormia junto com sua parceira Clara quando faleceu pacificamente durante o sono. Ele estava no santuário localizado no Congo há 11 anos, depois de sobreviver 40 anos em uma cela de concreto no Brazzaville Zoo, de onde ele foi resgatado de helicóptero. “Eu o encontrei sem pelo, sua pele esticada em seu corpo esquálido com todos os ossos visíveis. Seus olhos não tinham brilho”, disse Goodall.Gregoire havia morado no zoológico desde 1944. Ainda no local, depois do contato com Goodall, ele foi apresentado a dois jovens chimpanzés, sendo um de cada sexo. O espírito teimoso que manteve Gregoire vivo durante décadas de confinamento solitário estava intacto. Ele começou a brincar como uma criança com seus jovens amigos. Mas com o agravamento da guerra civil no país, os chimpanzés foram levados de helicóptero para o santuário de Tchimpounga, onde ele viveu até ontem e agora está enterrado.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Vaca agredida recebe tratamento
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Em Santa Catarina
Ana Buriguer e o marido tiveram a casa em Balneário Camboriú completamente tomada pela água. Eles podiam ter fugido, mas não tiveram coragem de deixar para trás os 19 cães. Ligaram para amigos com a água passando da cintura e conseguiram um barco pequeno no qual todos embarcaram: o casal e os 19 cães. Ainda restaram na casa cinco gatos que Ana tratou de acomodar no telhado em casinhas e com suprimento de comida. Assim que a água abaixou o casal voltou e pôde rever os bichanos e reinstalar os cães na casa semidestruída pela enchente. Mas o que importa é que nenhuma vida se perdeu.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
DDA´s Pelotas integram Agência de Notícias de Direitos Animais
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Dia Internacional dos Direitos Animais

Olá,
Hoje é o Dia dos Direitos Humanos. E também é o Dia Internacional dos Direitos Animais (data criada na Grã-Bretanha, há dez anos). A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi assinada em 1948, em assembléia da ONU; mas os animais também têm a sua, assinada pela UNESCO em 1978.
A coincidência entre as datas, 10 de dezembro, não é meramente acidental, e na verdade sugere uma leitura que poderia surpreender a muitos: tratam-se de causas idênticas.
Como é sabido, os Direitos Humanos foram proclamados num clima de pós-guerra, e não deixaram de levar em conta as barbáries cometidas com os prisioneiros. Os homens vencidos eram desprezados pelos vencedores, e o que seguia à prisão eram atos da mais extrema crueldade. A declaração remete, pois, mais do que à consagração de Direitos tidos por “naturais”, também a uma série de prescrições de compaixão.
Em linhas gerais, então, depois de tantas guerras entre os homens, viu-se que a indulgência era mais do que devida aos que igualmente ostentavam a condição de “humano”, fossem os vitoriosos ou os vencidos.
A Declaração dos Direitos Animais pode ser percebida com iguais olhos. A humanidade sempre travou um combate com os animais, bem como com a natureza em geral. O “triunfo”, uma espécie de glória que se auto-limita com as fronteiras dúbias da ecologia gerencial, é também recente, e possivelmente guarde relações com a Revolução Industrial. Todavia, ainda estamos numa fase em que olhamos para os vencidos com o desprezo que oportuniza a desmesura. São nossos prisioneiros de guerra, os animais.
É claro também que a ONU foi atenta à escravidão já imposta ao Homem. Quanto aos Animais, pode-se dizer o mesmo.
Escravidão e holocausto.
Neste dia que nos convoca a sinceras reflexões, gostaria que todos dedicassem alguns minutos de pensamento à condição animal. Especialmente ao paralelo que constata, simultaneamente, escravidão e prisão. Ao que se socorre, como ponto de partida, com compaixão.
Anderson Reichow
DDA – Pelotas
www.ddapelotas.blogspot.com
Vídeo revela cenas comoventes de um resgate intentado por um cão

sábado, 6 de dezembro de 2008
Vanguarda Abolicionista realiza Dia Internacional dos Direitos Animais junto a brechó pró-animais em Porto Alegre
itos Animais (International Animal Rights Day) - acontece anualmente no dia 10 de dezembro. O objetivo é alertar a sociedade quanto à urgente necessidade de estabelecimento e respeito à Declaração Universal dos Direitos Animais, acabando com a escravidão, exploração e abuso para alimentação, vestuário, tração, testes em laboratório, diversão, caça e muito mais.Na Capital gaúcha, o evento foi antecipado para este domingo, 7 de dezembro, a partir das 10h, junto ao brechó beneficente da ONG Bichos & Amigos, que trata e abriga centenas de animais vítimas de violência e abandono. Toda a renda obtida com a venda de roupas, livros, CDs, bijouteria e objetos é revertida para sustento e tratamento dos cães e gatos atendidos pela entidade. O endereço é rua Eduardo Chartier, 80, quase esquina com Assis Brasil, próximo ao Bourbon Assis Brasil. Para chegar, basta pegar qualquer coletivo que passe pela Assis Brasil e e descer na parada Coronel Feijó do corredor.
O grupo Vanguarda Abolicionista, com apoio de integrantes de outros grupos, vai aproveitar o movimento de público para distribuir panfletos informativos e esclarecer as pessoas quanto ao não-consumo de produtos de origem animal, especialmente. Um total de 14 banners estará instalado no local, e os ativistas também vão ficar nas sinaleiras da avenida Assis Brasil, exibindo materiais e entregando impressos educativos aos motoristas.
Assine a Declaração Universal dos Direitos Animais em www.uncaged.co.uk/signform.htm. Visite o blog da Vanguarda Abolicionista em vanguardaabolicionista.wordpress.com. Contate com o grupo escrevendo para vanguardaabolicionista@gmail.com.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Fazer o que os outros não fizeram
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Ração vegana para gatos
sábado, 29 de novembro de 2008
Porto Alegre presente na Sexta-Feira Mundial Sem Peles
Na metade da manhã, integrantes da Brigada Militar foram até o local, mandaram recolher os banners e detiveram os ativistas, conduzindo-os ao Posto da BM localizado no Largo Glênio Peres. Ainda na avenida Borges de Medeiros, realizaram uma parada, fizeram perguntas, pegaram panfletos e liberaram os manifestantes.

Da religião ao vegetarianismo
Por Lawrence Estivalet
Sob a perspectiva da religião dos mistérios na Grécia Antiga, faz-se evidente a milenaridade do pensamento vegetariano, por motivos, apontaremos minimamente, coerentes à grande parte das religiões da atualidade.
A origem da idéia da metempsicose, isto é, da imortalidade da alma resultando em ressurreição em outros corpos, data do séc. VI a.C., com a religião dos órficos. O orfismo foi a primeira seita a apresentar a dicotomia entre corpo e alma, contrastando-se à religião pública grega, notadamente à religião homérica. Isso porque se (1) Homero, por um lado, pregava que os homens eram como deuses sobre a Terra, não devendo contrariar à natureza dos deuses, isto é, à sua própria, (2) o orfismo, por outro, dizia que nem tudo que queremos fazer é justo, de maneira que, a fim de que cheguemos a evoluir, deveríamos controlar alguns de nossos impulsos, dentre os quais se incluía a utilização de animais à produção de alimentos ou roupas.
A justificação órfica para o vegetarianismo era bastante simples: os animais são dotados de almas de mesma espécie da humana, portanto comê-los se caracterizaria como o mesmo que comer um pai ou um irmão reencarnado. Além disso, eles eram frontalmente contrários ao sacrifício de animais, realizado pela religião pública dos gregos, em locais públicos, a fim de se comunicar com os deuses: não há, para os órficos, como se evoluir mediante mortes e faltas de limites.
Ora, parecem-nos óbvias as similaridades: em essência, em alma, em dignidade, os humanos e os não-humanos detêm os mesmos motivos pelos quais devem ser protegidos de chegarem ao absurdo de serem comparados com coisas, pois que se comunicam, se mexem, sentem amor, carinho, afeto, dor, diferentemente de uma cadeira, por exemplo. De outro lado, não mais pensamos em viver sem escrúpulos, principalmente na religião; assim não fosse, não julgaríamos errado estuprar ou matar, atos pelos quais sentimos claro repúdio.
Finalize-se destacando que o orfismo exerceu grande influência no pensamento filosófico e religioso, desde Heráclito, Pitágoras, Platão, neoplatônicos e filósofos da Idade Medieval até, entre outras, a doutrina Espírita, cada vez mais difundida nos dias de hoje.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Mais que palavras
A história da humanidade é 50% da história da humanidade
A história oficial da humanidade deve representar cerca de 50% da história da humanidade. O jogo é velho, a história é sempre contada pelos vencidos, a outra metade fica encobrida. Personagens interessantes tornam-se desconhecidos, nomeamos ruas com assassinos e ditadores. Afinal, essa é a história oficial! Nunca me conformei com isso, o que explica boa parte dos meus problemas na escola e na igreja, por exemplo. Rememorando esses factóides, lembrei-me de uma imagem (obra) que me marcou muito, a última ceia de Da Vinci. Olhei, olhei e olhei... Eis que surge outro questionamento cronopiano – e que certamente comprova a minha reincidência pecaminosa –: Jesus Cristo era vegetariano? Certamente Cristo era mais que um cara ilustre (parafraseando Raulzito), mais que isso, questionou a tributação romana, em uma de suas passagens mais interessantes, quando inquieta-se com o comércio no templo. Ali vimos um Cristo além do ilustre, revolucionário. Mas eu quero outro Cristo! O Cristo cristalizado e eternizado pelas mãos de Da Vinci, acompanhado de seus apóstolos. Na ceia, só havia pão e vinho, nada de carne, nenhum indício.
mentação. Não é necessário impingir sofrimento aos animais não humanos. Talvez, ao prolatar uma conduta em consonância com os dizeres do Pai, estivesse pregando uma idéia de vida boa para todos os seres e de respeito entre todos os seres (humanos ou não).Cristo era mais que um cara ilustre, era vegetariano! Ou seria o Cristo da Ceia Criolla, de Marcos Lopez?
[1] Bíblia e o vegetarianismo. Disponível em http://www.centrovegetariano.org/Article-211-B%25EDblia%2Be%2Bo%2BVegetarianismo.html -

Ativistas da Vanguarda Abolicionista são detidos em Poa (protesto anti-peles)
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
ANDA, siga esta pegada!
É justamente esse o objetivo da ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais: informar para transformar.
A ANDA vai difundir na mídia os valores de uma nova cultura, mais ética, mais justa e preocupada com a defesa e a garantia dos direitos animais. É o primeiro portal jornalístico voltado exclusivamente a fatos e informações do universo animal.
Com profissionalismo, seriedade e coragem, a ANDA abre um importante canal com jornalistas de todas as mídias e coloca em pauta assuntos que até hoje não tiveram o merecido espaço ou foram mal debatidos na imprensa.
A proposta da ANDA é servir também de referência a toda sociedade, respondendo aos questionamentos e incentivando novas atitudes, sempre sob o foco dos direitos animais.
A ANDA foi criada pela jornalista, vegana e ativista em defesa dos direitos animais, Silvana Andrade que tem 25 anos de experiência na imprensa brasileira.




















